As Quatro Nobres Verdade e a prática da meditação

Um lindo texto, muito esclarecedor sobre as Quatro Nobres Verdades, meditação e Lojong:

As Quatro Nobres Verdades Sobre As Emoções

No Budismo nós temos a primeira nobre verdade: a verdade do sofrimento. Eu conheci alguns budistas que querem evitar falar sobre a verdade do sofrimento. Eles dizem que isso irá desencorajar as pessoas a praticar o Darma porque soa deprimente. Eles querem encontrar um modo mais inspirador para descrever a experiência humana.

Mas vamos dar nomes aos bois. Todos nós sofremos diariamente de formas variadas — fisicamente, mentalmente e emocionalmente. E por mais que nos sintamos felizes por um momento, nós nunca sabemos quanto isso vai durar. Daqui um ano, um mês, uma semana, amanhã, ou até mesmo daqui cinco minutos, a mesma situação pode nos causar tristeza, raiva, inveja ou ressentimento. Nossas emoções mudam de momento a momento e trazem uma cascata de humores, sentimentos e padrões de pensamento — muitos dos quais aumentam nossa infelicidade e alguns dos quais são autodestrutivos.

Leia completo:  AS 4 NOBRES VERDADES DO SOFRIMENTO EMOCIONAL

ATENÇÃO PLENA E METTA

A mais importante fonte de metta*, e essa pode ser uma surpresa, é a prática da atenção plena. A atenção plena está intimamente ligada a metta e possui até um aspecto de metta dentro de si. Pois estar com atenção plena é estar completamente aberto e receptivo a qualquer coisa presente.

Um ditado Zen Chinês compara a atenção plena a um anfitrião que está recebendo amigos em casa para uma reunião. O anfitrião fica na porta e cumprimenta cada convidado conforme eles entram e se despede de cada um deles quando partem, com total atenção, um após o outro. Não há preferência por um em relação ao outro, antipatia por um ou outro. Há apenas o interesse genuíno e a atenção para com quem quer que seja que cruze a porta.

A atenção total é uma grande dádiva. Quando você dá para alguém a sua total atenção, você está-lhe oferecendo respeito. Proporcionar atenção incondicional a outrem é aceitar aquela pessoa totalmente e reconhecer o seu valor. Nesse momento de completa atenção, um profundo vínculo humano é sentido. A outra pessoa sente esse interesse compassivo e provavelmente irá corresponder.

Trecho em artigo sobre a Raiva e abordagem budista: http://www.acessoaoinsight.net/arquivo_textos_theravada/raiva.php

*Mettā (Páli: मेत्ता em Devanagari)ou maitrī (Sânscrito: मैत्री) é benevolência, afabilidade, amizade, bondade, união mental próxima (sinergia), e interesse ativo nos outros.[1]

É um dos dez pāramīs da Escola Teravada de Budismo e o primeiro dos quatro estados sublimes (Brahmavihāras). Este é o amor sem apego (upādāna).

O Buda e o Deva

O Buda estava um dia no Jardim de Anathapindika, na cidade de Jetavana, quando lhe apareceu um Deva ( espírito da natureza ) em figura de brâmane e vestido de hábitos brancos como a neve, e entre ambos se estabeleceu o seguinte “duelo”:

O Deva: – Qual é a espada mais cortante?
Ao que Buda respondeu:
– A palavra raivosa é a mais cortante.
– Qual o maior veneno?
– A inveja é o mais mortal veneno.
– Qual é o fogo mais ardente?
– A luxúria
– Qual a noite mais escura?
– A ignorância
– Quem obtém a maior recompensa?
– Quem dá sem desejo de receber é quem mais ganha.
– Quem sofre a maior perda?
– Quem recebe de outro sem nada devolver é quem mais perde.
– Qual é a armadura mais impenetrável?
– A paciência
– Qual a maior arma?
– A sabedoria
– Qual o ladrão mais perigoso?
– Um mau pensamento é o ladrão mais perigoso
– Qual o tesouro mais perigoso?
– A virtude
– Quem recusa o melhor que é oferecido deste mundo?
– Recusa o melhor que se lhe oferece quem aspira à mortalidade
– O que atrai?
– O bem atrai
– O que repugna?
– O mal repugna
– Qual a dor mais terrível?
– A má conduta
– Qual é a maior felicidade?
– A libertação
– O que ocasiona a ruína no Mundo?
– A ignorância
– O que destrói a amizade?
– A inveja e o egoísmo
– Qual a febre mais aguda?
– O ódio
O Deva então faz a sua última pergunta: – O que é que o fogo não queima, nem a ferrugem consome, nem o vento abate e é capaz de reconstruir o Mundo inteiro?
Buda respondeu:
– O benefício das boas acções.
Satisfeito com as respostas o Deva, com as mãos juntas, inclinou-se respeitosamente perante Buda e desapareceu.

Fonte: “Buda – Aquele que despertou” Martin Claret

Fonte: Portal do Budismo – um blog que vale a pena você assinar e acompanhar.

Lojong – Treinamento da mente em aplicativo

“Lojong, que se traduz no Tibete como “o treinamento da mente”, é um dos três pilares (juntamente com a meditação e tonglen) da escola Shambhala de Budismo Tibetano Vajrayana. Lojong slogans são expressivas, as declarações sucintas que carregam mais profunda e mais verdades gratificante quanto mais elas são examinadas e dar-nos sugestões claras e suaves de como podemos viver nossas vidas. Desta forma, eles são muito semelhantes para a prática de koan Zen, mas ao contrário de koans, slogans lojong não são logicamente inexplicável, nem misterioso. Pelo contrário, elas nos apontam os caminhos para que nós nos mantemos distantes de nossa mais profunda verdade. A distância entre quem acreditamos ser e quem realmente somos, quando os véus do medo e da queda do ego de distância é a fonte do sofrimento que constitui a primeira das Quatro Nobres Verdades ensinadas por Buda. ”

Hoje uso um aplicativo para Android que mostra cartas diárias com as afirmações do Lojong, com links para as explicações sobre essas frases. Isso pode ser muito útil na prática. O nome do aplicativo é Buddhist Lojong Cards – o app está em inglês e um pouco mais de esforço pode ser necessário.

É sempre bem útil acessar os links web para aprender em maior profundidade sobre o que trata a carta que aparece na tela.

Saiba mais sobre Lojong nos links abaixo

http://dharmalog.com/2011/05/13/os-59-slogans-de-treinamento-da-mente-de-atisha/

http://www.hierophant.com.br/arcano/posts/view/Yoga/771

Material O Treinamento da Mente em portuguêshttps://studybuddhism.com/pt/budismo-tibetano/treinamento-da-mente

ATUALIZAÇÃO: Lojong aplicativo em portuguêshttp://www.lojong.com.br/

Reclame apenas de uma coisa

Caso estejais doente, abatido moralmente, mal tratado, humilhado, assaltado por inimigos ou querelas, em resumo, se uma situação indesejável grave ou insignificante, incomoda a vossa pessoa ou a vossos interesses, não jogue a culpa sobre qualquer objeto exterior pensando que isto ou aquilo está na origem do dano.
Esta mente que se apega a um ego lá onde ele não existe, seguiu seus próprios caprichos no ciclo das existências, desde toda a eternidade até agora e cometeu todo tipo de atos negativos.
Os sofrimentos que surgem no presente são somente os resultados destes atos. Não reclame, pois, os outros, mas culpeis a atitude egocêntrica que é a responsável.
Pensai que fareis todo vosso possível para domá‐la e canalizai todos os ensinamentos a fim de que eles destruam o apego ao ego.

Você pode encontrar o livro Lodjong O treinamento da mente em 7 pontos no link: http://www.kalu.org.br/phocadownload/biblioteca/Lojong.pdf

O caminho do bodisatva – Shantideva (livro)

Depois de uma vez mais enaltecer as vantagens da solidão, Shāntideva começa a considerar dois tópicos que formam o ponto alto de seu ensinamento e que são a essência do caminho do bodisatva: a meditação na igualdade do “eu” e do “outro” e a meditação em se colocar no lugar do outro. Aqui o assunto se torna complexo, já que depende da profunda doutrina da vacuidade. Pois rapidamente torna-se claro que, no caminho do bodisatva, a compaixão não é compreendida apenas como empatia pelo sofrimento dos seres, ou até mesmo uma determinação de fazer algo a respeito desse sofrimento em termos práticos, por mais admirável que essa tarefa possa ser.

No budismo Mahāyāna, a compaixão envolve, por meio da aplicação da sabedoria, o transcender da noção do próprio ego e a compreensão de que, em uma análise final, a barreira existencial que separa o “eu” do “outro” é totalmente irreal, uma simples construção mental. Uma vez que essa barreira tenha sido cruzada e que os bodisatvas compreendam a irrealidade da distinção entre “eu” e “outro”, o sofrimento dos outros torna-se para eles tão real quanto o seu próprio. Na verdade, o sofrimento do outro é o sofrimento do bodisatva, e o desejo de liberá-los, tanto temporariamente quanto definitivamente, torna-se o impulso principal do bodisatva. Essas ideias serão pouco familiares e talvez desconcertantes para muitos leitores, e o significado do texto não é sempre fácil de compreender. Por essa razão, um excerto substancial do comentário tibetano de Kunzang Pelden é oferecido no Apêndice 2, no final do livro. Aqui é suficiente enfatizar que os ensinamentos budistas sobre a compaixão são fundamentados na sabedoria da vacuidade. É daí que eles derivam seu significado e força propulsora, sua validade e ao mesmo tempo sua possibilidade prática.

Aqueles que desejam rapidamente
Servir de refúgio para si próprios e para os outros seres
Devem trocar os termos “eu” e “outro”,
E assim abraçar um mistério sagrado. (8.120)

Essa inversão, possivelmente até o nível em que a dualidade do “eu” e do “outro” tenha sido transcendida, é o ápice da prática do bodisatva e leva-nos à essência da sabedoria budista. É desse ponto que todos os ensinamentos de O Caminho do bodisatva extraem seu significado e onde encontram sua completude. Tudo está condensado em uma única estrofe que Shāntideva proclama com a determinação de um princípio cósmico:

Toda a alegria que o mundo contém
Vem de querer felicidade para os outros.
Todo o sofrimento que o mundo contém
Vem de querer felicidade para si mesmo. (8.129)

Livro maravilhoso! Um tanto complicado para entender alguns conceitos, ao menos na minha experiência. Bom seria que leituras preliminares sobre alguns conceitos básicos fosse feita antes de ler. Um site que tem ajudado para consultas é esse: http://studybuddhism.com/pt/budismo-tibetano/sobre-o-budismo