Atenção é atenção – História Zen

“Como posso atingir a iluminação?”
Respondeu o Mestre:
“Realiza com toda a diligência e atenção os atos do cotidiano, mesmo os que consideras como comuns.”

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Um jovem desejava ardentemente instruir-se. Na sequência dessa férrea determinação visitou um Mestre famoso, mas conhecido pelas suas poucas palavras.
Disse o jovem:
“Mestre, preciso do vosso auxílio. Instruí-me na senda da iluminação.”
O Mestre olhou-o vagarosamente e num tom de voz afável, respondeu:
“Atenção.”
“Sim, Mestre. Procuro sempre concentrar-me…”
O Mestre interrompeu-o:
“Atenção não é concentração!”
“Sendo assim, que mais me aconselhais para além da atenção?”
“Atenção, só atenção.”
“Diga-me algo mais”, insistiu o discípulo.
“Atenção, sempre. Atenção, atenção.”
“Mas, o que é que entendeis por atenção?”, perguntou o jovem.
“Atenção é atenção.”

Isso também passará – História Zen

Um noviço queixou-se ao Mestre:
“Como se está a tornar difícil meditar. Ou me distraio, ou partes do corpo, em especial as pernas são assoladas por dores terríveis. Por vezes, invade-me uma sonolência letal, que me obriga a dormir. Estou plenamente desiludido comigo mesmo.”
“Verás que tudo isso é passageiro”, respondeu o velho Mestre com suavidade.
Decorrido algum tempo, retornou o noviço:
“Mestre, que felicidade a minha. A mente atingiu um estado de suprema tranquilidade. Meu corpo não tem dores e está perfeitamente descontraído. Sinto-me em paz, em união com todos os seres, com o Universo, um estado de maravilha constante.”
“Isso também passará.”

História Zen

Seguindo a corrente – História Zen

historia-zen-fluir-como-rio

Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio que levavam para uma alta e perigosa cascata. Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio. Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela sua vida, tentando desesperadamente chamar a atenção do homem que, bêbado, estava quase desmaiado. Mas, miraculosamente, ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem em uma curva que fazia o rio.

Ao testemunhar o evento, Kung-tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta:

“Ele se acomodou à água, não tentou lutar com ela. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Mergulhando na correnteza, conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver.”

Transitoriedade

Certa vez, uma pequena onda do oceano percebeu que ela não era igual às outras ondas e disse:
“Como sofro! Sou pequena, e vejo tantas ondas maiores e poderosas do que eu! Sou na verdade desprezível e feia, sem força e inútil…”
Mas outra onda do oceano lhe disse:
“Tu sofres porque não percebes a transitoriedade das formas, e não enxergas tua natureza original. Anseias egoisticamente por aquilo que não és, e mergulhas em auto-piedade!”
“Mas,” replicou a pequena onda,”se não sou realmente uma pequena onda, o que sou?”
“Ser onda é temporário e relativo. Não és onda, és água!”
“Água? E o que é água?”
“Usar palavras para descrevê-la não vai levar-te à compreensão. Contemples a transitoriedade à tua volta, tenhas coragem de reconhecer esta transitoriedade em ti mesma. Tua essência é água, e quando finalmente vivenciares isso, deixarás de sofrer com tua egoica insatisfação…”

Quando cansado…

Um estudante perguntou a Joshu, “Mestre, o que o Satori?”

O mestre replicou: “Quando estiver com fome, coma. Quando estiver cansado, durma.”

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Tigelas

Certa vez um estudante perguntou ao mestre Joshu:

– Mestre, por favor, o que é o Satori?.

Joshu respondeu-lhe:

– Terminaste a refeição?

– É claro, mestre, terminei.

– Então, vai lavar tuas tigelas!

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Joshu e o Grande Caminho

Certa vez, um homem encontrou Joshu, que estava atarefado em limpar o pátio do mosteiro. Feliz com a oportunidade de falar com um grande Mestre, o homem, imaginando conseguir de Joshu respostas para a questão metafísica que lhe estava atormentando, lhe perguntou:

“Oh, Mestre! Diga-me: onde está o Caminho?”

Joshu, sem parar de varrer, respondeu solícito:

“O caminho passa ali fora, depois da cerca.”

“Mas,” replicou o homem meio confuso, “eu não me refiro a esse caminho.”

Parando seu trabalho, o Mestre olhou-o e disse:

“Então de que caminho se trata?”

O outro disse, em tom místico:

“Falo, mestre, do Grande Caminho!”

“Ahhh, esse!” sorriu Joshu. “O grande caminho segue por ali até a Capital.”

E continuou a sua tarefa.

Sem Problema

Um praticante Zen foi à Bankei e fez-lhe esta pergunta, aflito:

“Mestre, Eu tenho um temperamento irascível. Sou às vezes muito agitado e agressivo e acabo criando discussões e ofendendo outras pessoas. Como posso curar isso?”

“Tu possuis algo muito estranho,” replicou Bankei. “Deixe ver como é esse comportamento.”

“Bem… eu não posso mostrá-lo exatamente agora, mestre,” disse o outro, um pouco confuso.

“E quando tu a mostrarás para mim?” perguntou Bankei.

“Não sei… é que isso sempre surge de forma inesperada,” replicou o estudante.

“Então,” concluiu Bankei, “essa coisa não faz parte de tua natureza verdadeira. Se assim fosse, tu poderias mostrá-la sempre que desejasse. Quando tu nasceste não a tinhas, e teus pais não a passaram para ti. Portanto, saibas que ele não existe.”

Buddha Cristão

Um dos monges do mestre Gasan visitou a universidade em Tokyo. Quando ele retornou, ele perguntou ao mestre se ele jamais tinha lido a Bíblia Cristã.

“Não,” Gasan replicou, “Por favor leia algo dela para mim.”

O monge abriu a Bíblia no Sermão da Montanha em São Mateus, e começou a ler. Após a leitura das palavras de Cristo sobre os lírios no campo, ele parou. Mestre Gasan ficou em silêncio por muito tempo.

“Sim,” ele finalmente disse, “Quem quer que proferiu estas palavras é um ser iluminado. O que você leu para mim é a essência de tudo o que eu tenho estado tentando ensinar a vocês aqui.”