Na presença da raiva – Kirshnamurti sobre a raiva

Na presença da raiva

Quando se defronta com a violência, o cérebro passa por uma rápida mudança química; ele reage muito mais rapidamente do que o golpe. O corpo todo reage e há resposta imediata; a pessoa pode não revidar, mas a própria presença da raiva ou do ódio causa essa resposta e existe ação.

Na presença de uma pessoa com raiva, veja o que acontece quando se está ciente disso sem que haja resposta a isso. No momento em que se está cônscio da raiva de outrem, e não se reage, há uma resposta muito diferente. O instinto da pessoa é responder ao ódio com ódio, à raiva com raiva; há uma injeção química que enseja reações nervosas no sistema. Mas acalme tudo isso na presença da raiva, e uma ação diferente se manifestará.

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A realidade está no que é

“Em vez de perguntar quem compreendeu ou o que é Deus, por que não dar toda sua atenção e vigilância para o que é? Então você descobrirá o desconhecido, ou melhor, ele chegará a você. Se você compreender o que é o conhecido, experimentará esse extraordinário silêncio que não é induzido, nem forçado, esse vazio criativo onde só a realidade pode entrar.

Ela não pode chegar naquilo que está se tornando, que está lutando; só pode chegar para aquilo que é, que compreende o que é. Então você verá que a realidade não está na distância; o desconhecido não fica lá longe; está no que é.

Como a resposta para um problema está no problema, também a realidade está no que é; se pudermos compreender isto, então conheceremos a realidade.”

J. Krishnamurti, The Book of Life

A PRÁTICA DA OBSERVAÇÃO SEM ESCOLHAS DOS PENSAMENTOS E DAS EMOÇÕES

A PRÁTICA DA OBSERVAÇÃO SEM ESCOLHAS DOS PENSAMENTOS E DAS EMOÇÕES

1. Uma mente torturada, frustrada, moldada pelo que a rodeia, que se conforma à moral social estabelecida é, em si própria, confusa; e uma mente confusa não pode descobrir o que é a Verdade. Para a mente descobrir esse estranho mistério — se tal coisa existe — ela precisa de construir as bases de uma conduta moral, o que não tem nada a ver com a moralidade social, uma conduta sem medos e, portanto, livre. Só então — depois de lançada esta base profunda — a mente poderá prosseguir no sentido de descobrir o que é meditação, essa qualidade de silêncio, de observação, no qual o “observador” não existe. Se esta base de conduta correta não está presente na existência de cada um, na sua ação, então a meditação tem muito pouco significado.(1)

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A educação está em suas mãos. Qual é o lugar da disciplina na educação?

Pergunta: Qual é o lugar da disciplina na educação?

Krishnamurti: Eu diria nenhum. Um momento, explicarei depois. Qual é o propósito da disciplina? O que você quer dizer com disciplina? Você, sendo o professor, quando você disciplina, o que acontece?

Você está forçando, obrigando; há compulsão, mesmo delicada, mesmo gentil, o que significa conformidade, imitação, medo. Mas você dirá, “Como pode uma grande escola ser dirigida sem disciplina?” Não pode. Portanto, grandes escolas deixam de ser instituições educacionais.

São instituições rentáveis, para o patrão ou para o governo, para o diretor ou o dono. Senhor, se você ama seu filho, você o disciplina? Você o obriga? Força-o em um padrão de pensamento? Você o olha, não é?

Tenta entendê-lo, tenta descobrir quais são os motivos, os anseios, os impulsos, que estão por trás daquilo que ele faz; e compreendendo-o, você produz o ambiente correto, a quantidade correta de sono, a comida correta, a quantidade correta de brincadeira.

Tudo isso está implicado, quando você ama uma criança; mas nós não amamos as crianças porque não temos nenhum amor em nossos corações. Apenas criamos crianças. E naturalmente, quando você tem muitas, deve discipliná-las, e a disciplina se torna um caminho fácil nessa dificuldade.

Afinal, disciplina significa resistência. Você cria resistência contra aquilo que você está disciplinando. Você pensa que a resistência produzirá compreensão, pensamento, afeição? A disciplina só pode construir muros em sua volta. A disciplina é sempre exclusiva, ao passo que a compreensão é inclusiva. A compreensão chega quando você investiga, quando examina, quando explora, o que requer consideração, cuidado, pensamento, afeição.

Numa escola grande, tais coisas não são possíveis, mas apenas numa escola pequena. Mas escolas pequenas não são lucrativas para o dono particular ou para o governo e desde que você, que é responsável pelo governo, não está realmente interessado em seus filhos, que importa? Se você amasse seus filhos, não simplesmente como brinquedos, como coisas para diverti-lo um pouco e um aborrecimento depois, se você realmente os amasse, permitiria que todas estas coisas continuassem? Não gostaria de saber o que eles comem, onde dormem, o que fazem o dia inteiro; se batem neles, se são oprimidos, se são destruídos? Mas isto significaria uma investigação, consideração pelos outros, seja por seus próprios filhos ou os de seu vizinho; e você não tem consideração, seja por seus filhos, ou por sua esposa ou marido.

Assim, o problema está em suas mãos, senhores, não nas mãos de algum governo ou sistema.

The Collected Works, Vol IV Bombay 9th Public Talk 13th March, 1948

Culpa – Krishnamurti

Sinto culpa, por que lhe dou nome? Eu a nomeio instantaneamente.

Nomeá-la é reconhecê-la, portanto tive esse sentimento antes. Certo?

E tendo tido antes, eu o reconheço agora. Pelo reconhecimento reforço o que aconteceu antes. Certo?

Estão acompanhando isto? Não?

Eu reforcei a memória da culpa anterior dizendo, “Eu sinto culpa”. Então olhe o que aconteceu. Toda forma de reconhecimento reforça o passado. E o reconhecimento acontece pelo nomear. Assim por e através do reconhecimento eu reforço o passado.

Por que a mente faz isso? Não me respondam por favor. Por que a mente faz isso, por que ela sempre reforça o passado dizendo. “Eu tive culpa, eu tenho culpa, é terrível sentir culpa, como vou me livrar dessa culpa?” – por que ela faz isso?

É porque a mente precisa estar ocupada com alguma coisa? Compreende? Ela precisa estar ocupada, seja com deus, com fumo, com sexo, com alguma coisa, ela tem que estar ocupada, daí tem medo de não ficar ocupada. Certo? E ocupando-se com o sentimento de culpa, nesse sentimento existe certa segurança. Pelo menos consegui essa coisa, não tenho mais nada mas pelo menos tenho esse sentimento de estar culpado. Então o que está acontecendo? Pelo reconhecimento, que é nomear, a mente está reforçando um sentimento passado, que aconteceu antes, e assim a mente fica constantemente ocupada com esse sentimento de culpa. Isso dá a ela certa ocupação, certo sentido de segurança, certa ação a partir disso que se torna neurótico. Então o que acontece? Posso eu, quando o sentimento surge, observá-lo sem nomear? Então descubro que quando não dou nome, a coisa não existe mais.

Krishnamurti. Reflections on the Self

A natureza e total erradicação do medo – Jiddu Krishnamurti

A: Sr. Krishnamurti, se me lembro corretamente, acho que começamos uma conversa juntos na última vez justamente no ponto em que a questão do medo surgiu, e eu acho que nós dois, talvez, pudéssemos explorar isso juntos um pouco.

K: Sim, eu acho que sim. Me pergunto como podemos abordar este problema, pois este é um problema comum no mundo. Todo mundo, ou, posso dizer, quase todo mundo, tem medo de algo. Pode ser medo da morte, medo da solidão, medo de não ser amado, medo de não se tornar famoso, bem-sucedido, e também medo de não ter segurança física, e o medo de não ter segurança psicológica. Há tantas múltiplas formas de medos. Agora, para realmente se entrar neste problema profundamente, pode a mente, que inclui o cérebro, se libertar realmente, fundamentalmente, do medo? Pois o medo, como eu tenho observado, é algo terrível.

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