Nós não queremos riquezas. Nós queremos paz e amor.

Eu sou pobre e despido, mas eu sou o chefe de uma nação. Nós não queremos riquezas e sim ensinar nossas crianças o que é correto. Riquezas não nos fariam bem algum. Nós não poderíamos levar ela conosco para o outro mundo. Nós não queremos riquezas. Nós queremos paz e amor.
Chefe Nuvem Vermelha
chefe-nuvem-vermelha

Nós não queremos riquezas

Nós não queremos riquezas, só queremos criar direito nossas crianças. Riquezas não nos fariam bem nenhum. Nós não podemos leva-la conosco para o outro mundo. Nós não queremos riquezas. Nós queremos paz e amor.

Mahpiua Luta (Nuvem Vermelha), Chefe dos Sioux Oglalas Teton

Nuvem Vermelha
Nuvem Vermelha

Prece da terra dos índios Ute

Terra, ensina-me a quietude, como a relva é silenciosa pela luz.
Terra, ensina-me a sofrer, como as velhas pedras sofrem com a lembrança.
Terra, ensina-me a humildade, como as flores são humildes em seus primórdios.
Terra, ensina-me a acarinhar, como a mãe que envolve seu bebê.
Terra, ensina-me a coragem, como a árvore que se eleva solitária.
Terra, ensina-me a limitação, como a formiga que rasteja no solo.
Terra, ensina-me a liberdade, como a águia que paira no céu.
Terra, ensina-me a resignação, como as folhas que morrem no outono.
Terra, ensina-me a regeneração, como a semente que brota na primavera.
Terra, ensina-me a esquecer de mim mesmo, como a neve que derrete esquece sua vida.
Terra, ensina-me a lembrar da bondade, como os campos áridos choram com a chuva.

Prece Ute

Que as estrelas carreguem sua tristeza – provérbio Índios Americanos

“Que as estrelas carreguem sua tristeza para longe, Que as flores encham seu coração com beleza, Que a esperança sempre varra para longe suas lágrimas, e, acima de tudo, Que o silêncio o torne mais forte.”

—   Provérbio dos nativos norte-americanos

A experiência mística de Black Elk – Sabedoria Sioux

A descrição da experiência mística de Black Elk dos índios Sioux feita por Joseph Campbell:

Black Elk era um jovem sioux de cerca de nove anos de idade. Pois bem, isso aconteceu antes que a cavalaria americana encontrasse os sioux, que eram o grande povo das planícies. O menino ficou doente, psicologicamente doente. Sua família conta, a respeito, uma típica história xamânica. A criança começa a tremer e é imobilizada. A família, muito preocupada, manda vir um xamã (que tinha tido uma experiência semelhante, na juventude) para, como uma espécie de psicanalista, livrar o menino do que o afligia. Mas em vez de livrá-lo das divindades, o xamã trata de adaptá-lo a elas, e vice versa. É uma perspectiva diferente daquela da psicanálise. Creio que foi Nietzsche quem disse: “Tome cuidado, para que, ao se desfazer dos demônios, você não se desfaça do que há de melhor em você”.

Aqui, as divindades que foram encontradas – os poderes, chamemos assim – foram mantidos. A conexão é confirmada e não rompida. E esses homens se tornam conselheiros espirituais e propiciadores de recompensas a seu povo.

Bem, o que aconteceu a esse garoto é que ele teve uma visão profética do terrível futuro da sua tribo. Foi uma visão do que ele chamou “o arco” da nação. Na visão, Black Elk viu o arco da sua nação como um dos muitos arcos – e isso é algo que nós próprios ainda não chegamos a compreender corretamente. Ele viu a cooperação entre todos os arcos, todas as nações, numa grande procissão. Mas, mais do que isso, a visão foi a experiência dele mesmo atravessando reinos das imagens espirituais, formadoras da sua cultura, e assimilando o seu significado. Isso resultou numa afirmação, que é para mim uma afirmação chave para a compreensão do mito e dos símbolos. Ele disse: “Eu vi a mim mesmo na montanha do centro do mundo, o lugar mais alto, e tive uma visão, porque estava vendo do modo sagrado de ver o mundo”. A montanha sagrada do centro do mundo à qual ele se referia era o Harney Peak, na Dakota do Sul. E então ele diz: “Mas a montanha do centro do mundo está em toda parte”.

Isto é, de fato, uma tomada de consciência mitológica. Isso distingue entre a imagem do culto local, o Harney Peak, e sua conotação como centro do mundo. O centro do mundo é o axis mundi [eixo do mundo], o ponto central, o pólo ao redor do qual as coisas giram. O ponto central do mundo é o ponto em que o repouso e o movimento se encontram.
Movimento é tempo, mas repouso é eternidade. Ter consciência deste momento da sua vida como um momento de eternidade, vivenciar o aspecto eterno do que você está realizando no plano temporal – essa é a experiência mitológica.
Assim, a montanha do centro do mundo está em Jerusalém? Em Roma? Em Benares? Lhasa? Na Cidade do México?

MOYERS: Esse menino sioux estava dizendo que existe um ponto luminoso que é a intersecção de todas as linhas.

CAMPBELL: Foi exatamente isso que ele disse.

MOYERS: E estava dizendo que Deus não tem circunferência?

CAMPBELL: Há uma definição de Deus que tem sido repetida por muitos filósofos. Deus é uma esfera inteligível – uma esfera acessível à mente, não aos sentidos – cujo centro está em toda parte e a circunferência, em parte nenhuma. E o centro, Bill, se localiza exatamente aí onde você está sentado. E também aqui, onde eu estou sentado. E cada um de nós é uma manifestação desse mistério. É uma bela compreensão mitológica, do tipo que lhe dá um senso de quem e do que você é.

Joseph Campbell e Bill Moyers em O Poder do Mito