O fácil é o certo – Chuang Tzu

O fácil é o certo. Ninguém jamais ousou dizer isso. Pelo contrário, as pessoas tornam o “certo” o mais difícil possível. Para todos os que foram condicionados por diferentes tradições, o errado é fácil e o certo é árduo. É preciso treinamento, disciplina, repressão, renúncia ao mundo, renúncia aos prazeres…

As mentiras são fáceis, a verdade é difícil – este é o condicionamento comum da humanidade.

Mas Chuang Tzu certamente é um homem de imenso discernimento. Ele diz: O fácil é o certo.

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O BARCO VAZIO – Chuang Tzu

CHUANG TZU
O BARCO VAZIO
(Chuang Tzu)
(trecho)

Se um homem atravessar um rio
E um barco vazio colidir com sua própria embarcação,
Mesmo que seja um mal-humorado,
Não terá muita raiva.
Mas se vir um homem no outro barco,
Gritará que ele reme direito.
Se o outro não ouvir o grito, gritará de novo,
E mais, começando a xingar.
Tudo porque há alguém no barco.
Se o barco estivesse vazio,
Não gritaria nem ficaria com raiva.

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Fluir como um rio – Osho

“O ego não pode fluir como um rio. Está congelado. Como um rio congelado pode fluir? O gelo precisa derreter, só então ele pode fluir. Congelado, você tem uma forma – derretido, a forma desaparece. Congelado, você é alguém, em alguma lugar; um nome – derretido, o nome some, ” ser alguém” desaparece. Você se tornou um nada, sem forma. Somente quando você não está congelado, você flui e, quando flui, você é como a própria vida, porque a vida é movimento. Só a morte é imóvel, só a morte permanece onde está.

A vida continua indo, indo, indo – é um fluxo contínuo. Se teve sucesso, você está congelado, porque agora você tem medo de derreter – porque se você derreter todo o sucesso será perdido. O seu sucesso é parte da sua imobilidade. Se você ficou famoso, você está congelado, agora você está morto, agora você não pode derreter. Você tem que se proteger, preservar sua fama, seu respeito, sua reputação. Você tem que se proteger e tem que permanecer com seu passado. Você não pode avançar para o futuro desconhecido, porque quem sabe?

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O Caminhar Feliz – Chuang-Tzu

*na imagem: O sábio se questiona ao despertar: Chuang-Tzu sonha ser borboleta ou a borboleta sonha ser Chuang-Tzu?

Cada pessoa é o que devia ser e pode viver com igual felicidade enquanto viver ajustada à sua própria natureza. Não há pessoas que sejam superiores e outras inferiores quanto a isso.

Há pessoas cuja natureza os torna aptos a assumir cargos de chefia, outras cuja natureza as faz serem bons negociantes, bons artesãos ou bons funcionários. Há quem tenha vocação para dedicar a sua vida a ajudar os outros e quem tenha jeito para pensar ou para investigar tudo.

Desde que respeitem a sua natureza, todas as pessoas podem fazer o que têm a fazer, com igual felicidade e sucesso no que fizerem.

Mas existe um limite próprio para cada uma a partir do qual tudo mais que possa ser desejado apenas levará a lamentações. Quem quer mais do que lhe é dado sofre inutilmente sem que ninguém o esteja a castigar. Quando nos prendemos demasiado às coisas, sentimos perdas e ganhos; e a alegria e o sofrimento são o resultado de perdas e ganhos. Só quem larga essas amarras se pode sentir verdadeiramente feliz. A única liberdade a que os homens podem aspirar tem que estar inserida dentro dos limites naturais da sua condição humana e da sua natureza. Só devemos tentar fazer o que podemos realmente fazer. A nossa liberdade de ação tem limites.

Quem não gosta do que tem, porque pensa que podia ter melhor, é desagradecido e é estúpido. Abdica da única liberdade que um Homem pode ter para optar em vez disso pela ansiedade constante de tentar ter o que nunca vai ter. Quem não gosta do que é, acabará por passar a sua vida frustrado, tentando ser o que nunca vai ser.

Aqueles que aceitam o curso natural das coisas ficam sempre tranquilos quer nas ocasiões alegres quer nas tristes. Quem apenas gosta da felicidade, sofrerá com a tristeza. Quem aceita com tranquilidade a inevitabilidade da morte, sabe tirar melhor proveito da vida. De que serve não a aceitar? Querer ter o que se não pode ter é ficar preso para sempre. Quem apenas gosta da vida, sofrerá com a morte. Quem apenas gosta do poder, sofrerá com a sua perda.

Chuang-Tzu – Filósofo Taoista que viveu de 369 antes de Cristo a 286 a.C.

Onde encontrar o livro em PDF, EPUB E MOBI PARA KINDLE: http://hadnu.org/publicacoes/27-os-escritos-de-chuang-tsu-ou-zhuangzi-ou-kwang-tze

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O homem verdadeiramente grande – Chuang-Tzu

“Por conseguinte, o homem verdadeiramente grande não injuria os outros e não se crê caridoso e misericordioso. Ele não procura ganho, porém não despreza os servos que o fazem. Não luta pela riqueza, porém não dá grande valor à sua modéstia. Não pede auxílio de ninguém, mas não se orgulha de sua auto– segurança, nem despreza os ambiciosos. Age diferentemente da multidão comum, mas não dá grande valor em ser diferente ou excêntrico; nem porque age com a maioria, despreza os que lisonjeiam alguns. Os títulos e os proveitos do mundo não lhe são motivo de alegria; seus castigos e vergonha não são causa de desgraça. Sabe que o direito e o errado não podem ser distinguidos, que o grande e o pequeno não podem ser definidos.”

“Mas o que é o homem verdadeiro? O verdadeiro homem de antigamente não se aproveitava do fraco, não atingia seus fins pela força bruta, e não reunia ao redor de si os conselheiros. Assim, falhando, não tinha motivo para arrependimentos; sendo bem sucedido, nenhuma causa para satisfação própria. E podia subir a alturas sem tremer, entrar na água sem molhar-se e passar pelo fogo sem queimar-se. Eis a espécie de conhecimento que chega às profundezas de Tao. Os verdadeiros homens de antigamente dormiam sem sonhos e acordavam sem preocupações. Comiam indiferentes ao paladar e aspiravam fundamente o ar. Porque os verdadeiros homens aspiram o ar até os calcanhares; os vulgares até, apenas, a garganta. Da boca dos perversos as palavras são expelidas como vômitos. Quando as afeições do homem são profundas, seus dons divinos são superficiais. Os verdadeiros homens antigos não sabiam o que era amar a vida ou temer a morte. Não se alegravam pelos nascimentos nem se esforçavam para evitar a dissolução vinham sem preocupações e partiam sem preocupações. Era tudo. Não se esqueciam de onde tinham surgido, mas não procuravam indagar quando voltariam para lá. Alegremente aceitavam a vida esperando pacientes pela redenção (o fim). Eis o que se chama não desencaminhar o coração de Tao, e não suprir o natural por meios humanos. A um homem desses chamar-se-ia com razão um homem verdadeiro.”

Do livro Os Escritos de Chuang-Tzu