Meditação – sentir o corpo interior – Eckhart Tolle

Por Eckhart Tolle

Uma sessão de meditação não precisa ser longa. Dez a vinte minutos contados no despertador são o suficiente.

Primeiramente tenha certeza que você não será interrompido por distrações externas como telefones ou pessoas que provavelmente vão te interromper. Sente-se em uma cadeira, mas sem encostar as costas no encosto. Mantenha a coluna ereta, isso lhe manterá alerta. Claro, você também pode escolher outra posição que seja da sua preferencia.

Tenha certeza que o seu corpo está relaxado. Feche os olhos. Respire profundamente algumas vezes puxando o ar pela parte de baixo do abdômen (puxar o ar pelo peito indica para corpo que queremos vigor, o que não é o caso na meditação). Sinta-se respirando. Observe como o seu abdômen expande e contrai com cada inspiração e expiração. Então se torne ciente do seu campo energético interno do seu corpo. Não pense sobre ele, sinta-o. Fazendo isso você recupera a consciência da sua mente.

Quando você puder sentir o corpo interior como um único campo de energia, abandone, se possível, qualquer imagem visual e concentre-se exclusivamente nas sensações. Se você puder, também abandone a imagem mental que você possa ter do corpo físico. Então tudo o que resta é uma sensação omnicompreensiva (extremante abrangente, sem delineação limitante) de presença ou de “ser”, e o corpo interno é sentido como algo sem um limite. Então leve a sua atenção mais profundamente para essa sensação. Se torne um com ela. Funda-se com o campo de energia de forma que não há mais uma percepção de dualidade entre o observador e o observado, de você e o seu corpo. A distinção entre o que há dentro e fora também se dissolve, então não há mais corpo interno. Ao ir profundamente no corpo, você transcendeu o corpo.

Fique nesse reino de puro Ser por quanto tempo lhe for confortável; então se torne ciente novamente do corpo físico, da sua respiração e das suas sensações físicas, e abra os seus olhos.

Olhe a sua volta de forma meditativa por alguns minutos, que é olhar atentamente sem rotular mentalmente, e continue a sentir o corpo interior enquanto você faz isso.

Ter acesso ao Reino Sem-Forma é verdadeiramente libertador. Ele te livra das amarras da forma e da identificação com a forma. É a vida no seu estado indiferenciado antes da fragmentação em multiplicidade. Nós podemos chama-lo de Não Manifesto, a Fonte invisível de todas as coisas, o Ser dentro de todos os seres. É um reino de profunda quietude e paz, mas também de alegria e intensa vitalidade. Toda vez que você está presente, você se torna, de certa forma, “transparente” para a luz de pura consciência que emana da Fonte. Você percebe que essa luz não é separada de quem você é, mas sim a sua verdadeira essência.

fonte: http://eckharttolle.com.br/index.php/2016/08/25/meditacao-guiada-entrando-profundamente-no-corpo/

A entrega ou não resistência – Eckhart Tolle

A entrega, ou seja, o abandono de qualquer resistência mental e emocional ao que é, também é um portal para o Não Manifesto. A razão disso é simples, já que a resistência interior nos isola das outras pessoas, de nós mesmos e do mundo à nossa volta, fortalecendo a sensação de separação da qual o ego depende para sobreviver. Quanto maior a sensação de separação, maior a nossa dependência do manifesto, do mundo das formas separadas. E quanto maior a ligação com o mundo das formas, mais dura e impenetrável será a nossa identificação com a forma. O portal é fechado e somos afastados da dimensão interior, a dimensão do profundo. No estado de entrega, a nossa identificação com a forma se dissolve e se reveste de uma espécie de “transparência” e, assim, o Não Manifesto consegue brilhar através de nós.

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Pratico meditação, frequento seminários, leio muito sobre espiritualidade, mas não encontro verdadeira paz interior

Pergunta: Pratico meditação, frequento seminários, leio muito sobre espiritualidade, em busca de um estado de não resistência. Mas, se você me perguntar se encontrei a verdadeira paz interior, minha resposta teria que ser “não”. Por que não a encontrei? O que mais posso fazer?

Resposta: Você ainda está procurando lá fora e não consegue escapar do modo de busca. Talvez o próximo seminário lhe traga a resposta, talvez aquela nova técnica. Diria a você: não busque a paz. Não busque nenhum outro estado além daquele em que você está agora, do contrário, vai criar um conflito interno e uma resistência inconsciente. Perdoe a si mesmo por não estar em paz. No momento em que você aceitar completamente a sua intranquilidade, ela se transformará em paz. Qualquer coisa que você aceite completamente vai lhe levar até lá, vai levar você até a paz. Esse é o milagre da entrega.

Eckhart Tolle em O Poder do Agora

Observando pensamentos – Libertando-se da sua mente, Eckhart Tolle

LIBERTANDO-SE DA SUA MENTE

A boa notícia é que podemos nos libertar de nossas mentes. Essa é a única libertação verdadeira. Dê o primeiro passo neste exato momento.

COMECE A OUVIR a voz na sua cabeça, tanto quanto puder. Preste atenção principalmente a padrões repetitivos de pensamento, aquelas velhas trilhas sonoras que você escuta dentro da sua cabeça há anos. E isso o que quero dizer com “observar o pensador”. E um outro modo de dizer o seguinte: ouça a voz dentro da sua cabeça, esteja lá presente, como uma testemunha.

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Não consigo entender como alguém pode se entregar ao sofrimento

P: Não consigo entender como alguém pode se entregar ao sofrimento. Como você já mencionou, o sofrimento é a não-entrega. Como poderia me entregar à não-entrega?

R: Esqueça a entrega por um instante. Quando a sua dor é profunda, tudo o que se disser a respeito de entrega vai, provavelmente, lhe parecer superficial e sem sentido.

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Eckhart Tolle sobre o Tao

“Estaremos falando, não apenas falando, mas entrando na essência de um livro que me tem acompanhado nos últimos trinta anos.Um livro que sempre consulto diariamente, e sigo consultando todos os dias…leio uma página, ou duas ou três…e medito…

Trata-se de um dos grandes tesouros da literatura espiritual.

É um livro escrito na China a 2.500 anos atrás, o TAO TE CHING.

Pode parecer que se passou muito tempo desde aquela época, e sem dúvida o livro segue sendo imensamente vivo. E um livro escrito a tanto tempo, para estar tão vivo, significa que foi escrito a partir de uma dimensão muito profunda e aponta algo, que está fora do tempo (timeless).

Se não tivesse sido escrito a partir dessa dimensão, que está fora do tempo, e não apontasse esse algo atemporal, um livro escrito a 2.500 seria irrelevante, não teria sentido e seria na verdade incompreensível.

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O sofrimento e o fim do sofrimento

O sofrimento e o fim do sofrimento

Será que o sofrimento é realmente necessário?

Se você não tivesse sofrido o que sofreu, não teria profundidade como ser humano, não teria humildade nem compaixão. Não estaria lendo este texto agora.

O sofrimento rompe a casca do ego do eu autocentrado e promove uma abertura até atingir um ponto em que cumpriu sua função. O sofrimento é necessário até que você se dê conta de que ele é desnecessário.

A infelicidade precisa de um eu construído pela mente, um eu com uma história e uma identidade. Precisa do tempo passado e futuro. Quando você elimina o tempo da sua infelicidade, o que sobra? A situação daquele momento. Pode ser uma sensação de peso, agitação, aperto no peito, raiva ou até enjoo.

Isso não é infelicidade nem um problema pessoal. Não há nada de pessoal no sofrimento humano. Trata-se apenas de uma forte pressão ou uma grande energia que você sente em alguma parte do corpo. Se você concentra sua atenção nessa energia, a sensação não se transforma em pensamento e assim não reativa o eu infeliz.
Há muito sofrimento e tristeza quando você acha que cada pensamento que passa por sua cabeça é verdadeiro. Não são as situações que causam infelicidade. São os pensamentos a respeito das situações que deixam você infeliz. As interpretações que você faz, as histórias que conta para si mesmo é que deixam você infeliz.
Achar que estamos certos e os outros errados nos coloca numa posição ilusória de superioridade, e com isso fortalecemos nossa noção do eu . Criamos assim uma espécie de inimigo, porque o eu precisa de inimigos para definir seus limites e sua identidade. Julgar alguém ou algum fato é criar sofrimento para si mesmo. Somos capazes de criar todos os tipos de sofrimento para nós mesmos, mas não percebemos isso porque de certa forma esses sofrimentos satisfazem o ego. O eu autocentrado se sente mais confortável no conflito.

Como a vida seria mais simples sem essas histórias que o pensamento cria. Rotular uma coisa como ruim provoca uma tensão emocional. Se você deixar que as coisas existam sem classificá-las, passa a dispor de um enorme poder.

Você pode aprender a reconhecer todas essas formas de sofrimento na hora em que ocorrem e dizer para si mesmo: Estou criando um sofrimento para mim.

Se você tem o hábito de criar sofrimento para si mesmo, deve estar criando também para os OUTROS.

É impossível estar ao mesmo tempo consciente – no agora – e criando sofrimento para si mesmo.

Um diálogo:
– Aceite o que é .
– Não posso. Eu me sinto agitado e irritado por causa disso .
– Então, aceite o que é .
– Aceitar que estou agitado e irritado? Aceitar que não consigo aceitar?
– Isso mesmo. Aceite a sua não aceitação. Entregue-se à sua não entrega. E veja o que acontece.

A dor física crônica é um dos mestres mais duros que se pode ter. Ela nos ensina que a RESISTÊNCIA É INÚTIL. Quando você sofre conscientemente, quando aceita a dor física, ela anula o ego, pois o ego é formado sobretudo por RESISTÊNCIA. O mesmo ocorre com uma grande deficiência física.

Ao se entregar, aquilo que parecia negar a existência de qualquer dimensão transcendental torna-se uma abertura para esta dimensão.

Eckhart Tolle em O Poder do Silêncio