O medo dos pais na educação dos filhos

A criança está tentando subir em uma árvore, o que você vai fazer? Você imediatamente fica com medo – ela pode cair, ela pode quebrar a perna, ou algo pode dar errado. E por causa do seu medo você se apressa e acode a criança. Se você soubesse a alegria de subir em uma árvore, você teria ajudado a criança a aprender a subir em árvores!

E se você tem medo, ajude-a, vá ensiná-la. Você também pode subir com ela! Ajude a criança a aprender para que ela não caia. Seu medo é bom – mostra amor, a criança pode cair, mas impedir a criança de escalar uma árvore é como impedi-lá de crescer.

Há algo essencial sobre subir em árvores. Se uma criança nunca fizer, ela continuará a ser, de alguma forma, pobre, ela vai perder alguma riqueza – por toda a sua vida. Você irá privá-la de algo bonito, que ela só saberá se fizer. E de vez em quando, cair de uma árvore não é tão ruim assim, melhor do que privá-la da experiência para sempre.

Ou, a criança quer sair na chuva, quer correr pelas ruas na chuva e você está com medo que ela pode pegar um resfriado, ou uma pneumonia ou algo assim – e seu medo está certo! Então, faça algo para que ela seja mais resistente a resfriados.

Leve a criança ao médico, pergunte ao médico que vitaminas devem ser dadas a ela para que possa correr pela chuva, apreciar, dançar sem o medo de que ela vá pegar um resfriado ou vá ter uma pneumonia. Mas não a detenha. Porque dançar nas ruas quando está chovendo é uma alegria! Perder isso é perder algo muito valioso.

Se você conhece a felicidade e se você está consciente, você será capaz de sentir a criança, como ela se sente.

Osho

A educação está em suas mãos. Qual é o lugar da disciplina na educação?

Pergunta: Qual é o lugar da disciplina na educação?

Krishnamurti: Eu diria nenhum. Um momento, explicarei depois. Qual é o propósito da disciplina? O que você quer dizer com disciplina? Você, sendo o professor, quando você disciplina, o que acontece?

Você está forçando, obrigando; há compulsão, mesmo delicada, mesmo gentil, o que significa conformidade, imitação, medo. Mas você dirá, “Como pode uma grande escola ser dirigida sem disciplina?” Não pode. Portanto, grandes escolas deixam de ser instituições educacionais.

São instituições rentáveis, para o patrão ou para o governo, para o diretor ou o dono. Senhor, se você ama seu filho, você o disciplina? Você o obriga? Força-o em um padrão de pensamento? Você o olha, não é?

Tenta entendê-lo, tenta descobrir quais são os motivos, os anseios, os impulsos, que estão por trás daquilo que ele faz; e compreendendo-o, você produz o ambiente correto, a quantidade correta de sono, a comida correta, a quantidade correta de brincadeira.

Tudo isso está implicado, quando você ama uma criança; mas nós não amamos as crianças porque não temos nenhum amor em nossos corações. Apenas criamos crianças. E naturalmente, quando você tem muitas, deve discipliná-las, e a disciplina se torna um caminho fácil nessa dificuldade.

Afinal, disciplina significa resistência. Você cria resistência contra aquilo que você está disciplinando. Você pensa que a resistência produzirá compreensão, pensamento, afeição? A disciplina só pode construir muros em sua volta. A disciplina é sempre exclusiva, ao passo que a compreensão é inclusiva. A compreensão chega quando você investiga, quando examina, quando explora, o que requer consideração, cuidado, pensamento, afeição.

Numa escola grande, tais coisas não são possíveis, mas apenas numa escola pequena. Mas escolas pequenas não são lucrativas para o dono particular ou para o governo e desde que você, que é responsável pelo governo, não está realmente interessado em seus filhos, que importa? Se você amasse seus filhos, não simplesmente como brinquedos, como coisas para diverti-lo um pouco e um aborrecimento depois, se você realmente os amasse, permitiria que todas estas coisas continuassem? Não gostaria de saber o que eles comem, onde dormem, o que fazem o dia inteiro; se batem neles, se são oprimidos, se são destruídos? Mas isto significaria uma investigação, consideração pelos outros, seja por seus próprios filhos ou os de seu vizinho; e você não tem consideração, seja por seus filhos, ou por sua esposa ou marido.

Assim, o problema está em suas mãos, senhores, não nas mãos de algum governo ou sistema.

The Collected Works, Vol IV Bombay 9th Public Talk 13th March, 1948

Osho sobre a educação dos filhos

“Há muitos erros na criação dos filhos, mas eu falarei apenas sobre o mais importante.

Primeiro: a ideia de que seus filhos pertencem a você.
Eles vêm ao mundo por meio de você; você foi um canal de passagem, mas eles não pertencem a você. Eles não são suas posses. Com essa ideia de possessividade, muitos erros aparecem.
Quando começa a achar que eles pertencem a você, acaba reduzindo-os a objetos, porque somente os objetos podem ser possuídos, não seres humanos. É o ato mais feio que você pode cometer.
E seus filhos são tão impotentes, tão dependentes, que não podem se rebelar. Eles aceitam toda as suas decisões.
E para proteger suas posses, você os torna cristãos assim que eles nascem. Você os torna hindus, muçulmanos, budistas, judeus — não consegue esperar! E não consegue enxergar o absurdo nisso tudo?
Na política, uma pessoa é considerada adulta e pronta para votar aos dezoito anos. A religião é menos importante do que a política?
Mas, antes mesmo que a criança aprenda a falar, ela sofre a circuncisão; fica sabendo que é um judeu. É batizada, sem seu consentimento — pelo simples fato de que você não precisa pedir o consentimento de um móvel, onde colocá-lo, se deve mantê-lo ou jogá-lo fora.
Você age com seus filhos da mesma maneira, como se eles fossem objetos.
Se os pais estiverem atentos, conscientes, esperarão que o filho cresça para que ele possa escolher. Se ele tiver a vontade de se tornar um cristão, ele é livre para isso. Se quiser se tornar um budista, é livre para isso. Mas deveria escolher apenas quando decidir.
Eu acredito que, se dezoito anos é a idade mínima para a política, para a religião quarenta e dois anos deveria ser a idade mínima para as pessoas decidirem. E, na verdade, é nessa época que a religião se torna importante. Você viveu sua vida; viu todas as etapas da vida — quarenta e dois anos de idade é um momento muito decisivo.
É quando tem de decidir se continuará a mesma rotina de vida, ou se dará a ela uma nova dimensão. E essa nova dimensão é a religião.
Se a pessoa decidir ser religiosa — simplesmente religiosa, sem pertencer a qualquer organização, sem pertencer a qualquer igreja — perfeito. Ela escolheu a liberdade.
Mas é um problema pessoal, íntimo, ninguém pode interferir.
Mas os pais começam a interferir desde o começo. Por que a pressa? A pressa só serve para que, mais tarde,a criança reclame, pergunte por que ela é uma judia — porque ela não nasceu judia; nenhuma criança nasce judia, cristã ou hindu.
Todas as crianças nascem como uma folha em branco, um quadro vazio. Nada está escrito nelas… inocência pura.
A primeira coisa a ser lembrada é: não reduza a criança a um objeto, não se esforce para isso.
Dê individualidade a ela, não imponha uma personalidade a ela. A individualidade, ela traz consigo; a personalidade é imposta pelos pais, pela sociedade, pelo sistema educacional, pela igreja. Se você entender, não vai impor nada a seu filho, vai ajudar seu filho a ser ele mesmo.
Certamente isso é difícil. É por isso que todas as sociedades, de todas as épocas, escolheram o caminho simples: é mais simples impor alguma coisa à criança. Então ela se torna obediente, não se torna rebelde. Não causa a você problema algum, não se torna uma irritação.
Mas se você der a ela liberdade e ajudá-la a ser livre e individual, ela poderá lhe trazer uma série de problemas. As pessoas decidiram destruir a criança em vez de aceitar os problemas.
Se você tem tanto medo de problemas, é melhor não ter um filho. Mas dar vida a uma criança e depois destruí-la só para não ter problemas é muito desumano.
As crianças são a classe de pessoas mais escravizadas da sociedade humana, as mais exploradas — e exploradas “para seu próprio bem”.
– Osho em o Livro da Mulher
fonte http://ventosdepaz.blogspot.com.br/

Educando crianças livres e sem medo – Krishnamurti

O que é importante é que vocês que lidam com crianças não deveriam impor a elas as suas falácias, suas noções sobre fantasmas, suas ideias e experiências particulares.

Isso é uma coisa muito difícil de evitar porque os mais velhos falam demais sobre essas coisas não essenciais e que não tem importância alguma para a vida; então gradualmente eles comunicam às crianças suas próprias ansiedades, medos e superstições, e a criança naturalmente repete tudo que ouviu.

É importante que os adultos, que geralmente também não sabem nada sobre certos assuntos, evitem falar sobre isso na frente das crianças, mas tentar criar uma atmosfera onde a criança possa crescer livre e sem medo.

— Jiddu Krishnamurti no livro Think on these Things