O ego e o Eu Superior – Paul Brunton

O ego e o Eu Superior

O que é o ego? O ego é a pessoa que consideramos ser. Na realidade, o ego é um conjunto de pensamentos, sentimentos, imagens, memórias, hábitos conscientes e inconscientes, incluindo a experiência física, emocional e mental, iluminado pela consciência.

Quando o ego se considera a pessoa real, temos então o problema que PB chama de egoísmo. O egoísmo é o pensamento firmemente mantido do eu pessoal como o ser real, e a resultante separação entre o ego e o Eu Superior. Esta confusão de identidade não é apenas um problema de pensamento, é um profundo hábito mental mantido emocionalmente. Continuar lendo O ego e o Eu Superior – Paul Brunton

RESULTADOS DO DESTRONAMENTO DO EGO

Na proporção em que ele se livre do domínio do ego, se livrará da autoconsciência com sua vaidade ou timidez, seu nervosismo ou ansiedade.
Como um eu altamente personalizado competindo com outros eus, só poderá existir uma interminável fricção e uma intermitente ansiedade. Como um eu impessoal que habita no eterno Agora, não haverá com quem competir ou nenhum evento pelo qual competir.

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Como ser você mesmo – Eckhart Tolle

Fazer o que é exigido de nós em qualquer situação sem que isso se torne um papel com o qual nos identificamos é uma lição essencial na arte de viver que todos nós estamos aqui para aprender. Somos mais eficazes no que quer que façamos quando executamos a ação em benefício dela mesma, e não como um meio de proteger e acentuar a identidade do nosso papel.

Todo papel é uma percepção fictícia do eu e, por meio dele, tudo se torna personalizado e assim corrompido e distorcido pelo “pequeno eu” criado pela mente, seja qual for a função que este esteja desempenhando. Quase todas as pessoas em posições de poder, como políticos, celebridades e líderes empresariais e religiosos, se encontram inteiramente identificadas com seu papel, com poucas exceções notáveis. Esses indivíduos podem ser considerados VIPs, mas não são mais do que participantes inconscientes do jogo egóico, que, apesar de parecer muito importante, não apresenta, em última análise, um propósito verdadeiro. Ele é, nas palavras de Shakespeare, “uma história contada por um idiota, repleta de som e de fúria, sem nenhum significado”.

E Shakespeare chegou a essa conclusão sem nem sequer ter visto televisão. Se o conflito egóico tem de fato um propósito, este é indireto: ele cria cada vez mais sofrimento neste mundo, e o sofrimento, embora produzido em sua maior parte pelo ego, no fim também o destrói. Ele é o fogo no qual o ego se consome.

Neste mundo de personalidades que interpretam papéis, as poucas pessoas que não projetam uma imagem criada pela mente e que agem com o âmago do seu Ser, aquelas que não tentam parecer mais do que são, destacam-se como admiráveis e são as únicas que fazem verdadeiramente a diferença – e existem algumas assim até mesmo na mídia em geral e no universo dos negócios. Elas são os mensageiros da nova consciência. Qualquer coisa que façam se torna importante porque está alinhada com o propósito do todo. Contudo, sua influência vai muito além do que realizam, da sua atividade. Sua mera presença – simples, natural, despretensiosa – tem um efeito transformador sobre qualquer um que tenha contato com elas.

Quando não interpretamos papéis, é porque que não há eu (ego) no que estamos fazendo. Não existem intenções ocultas: a proteção ou o fortalecimento do eu. Por esse motivo, nossas ações têm uma força muito maior. Ficamos totalmente concentrados na situação, nos tornamos um só com ela. Não procuramos ser alguém diferente. Passamos a ser mais capazes, mais eficazes, quando somos nós mesmos. Todavia, não devemos tentar ser nós mesmos, pois esse é outro papel. Estou falando do chamado “eu natural, espontâneo”.

Assim que buscamos ser isso ou aquilo, interpretamos um papel. “Apenas seja você mesmo” é um bom conselho, no entanto também pode ser enganador. Primeiro, a mente dirá: “Vejamos. Como posso ser eu mesmo?” Depois, desenvolverá uma estratégia do tipo “Como ser eu mesmo”. Outro papel. Assim, “Como posso ser eu mesmo?” é, na verdade, a pergunta errada. 

Ela pressupõe que temos que fazer algo para sermos nós mesmos. Porém, “como” não se aplica a esse caso porque já somos nós mesmos. Precisamos apenas parar de acrescentar elementos desnecessários a quem já somos. “Mas eu não sei quem sou. Ignoro o que significa ser eu mesmo.” Quando conseguimos nos sentir à vontade em não saber quem somos, então o que sobra é quem somos – o Ser por trás do humano, um campo de pura potencialidade em vez de alguma coisa que já está definida.

Portanto, desista de se definir – para si mesmo e para os outros. Você não morrerá. Você nascerá. E não se preocupe com a definição que os outros lhe dão. Quando uma pessoa o define, ela está se limitando, então o problema é dela. Sempre que estiver interagindo com alguém, não se porte como se você fosse basicamente uma função ou um papel, mas um campo de presença consciente.

Por que o ego interpreta papéis?

Por que o ego interpreta papéis? Por causa de um pressuposto não questionado, um erro fundamental, um pensamento inconsciente, que é: “Não sou o bastante.” E a esse pensamento se seguem outros, como “Tenho que interpretar um papel para conseguir o que é necessário para me completar”, “Preciso obter mais para ser mais”. No entanto, não podemos ser mais do que somos porque, por baixo da superfície da nossa forma física e psicológica, somos um só com a Vida em si mesma, com o Ser. Na forma, somos e seremos sempre inferiores a algumas pessoas e superiores a outras. Na essência, não somos inferiores nem superiores a ninguém. A verdadeira autoestima e a autêntica humildade surgem dessa compreensão. Aos olhos do ego, a auto-estima e a humildade são contraditórias. Na verdade, elas são uma só coisa e a mesma.

Ego, descontentamento, medo e ansiedade – livro O Salto de Pema Chödrön

Os ensinamentos budistas dizem que a raiz de nosso descontentamento é nossa personalidade autocentrada e o medo de concentrar nossa atenção no momento presente.

Facilmente, podemos nos transformar de pessoas abertas e receptivas — um sentimento vivo e alerta — em pessoas introvertidas. Mais uma vez, sentimos desconforto e procuramos um alívio rápido, que nunca atinge a raiz do problema. Somos iguais a um avestruz enfiando a cabeça na areia com a esperança de encontrar conforto. Essa fuga de tudo que é desagradável, esse ciclo contínuo de evitar o presente é uma reação egoísta, um apego exagerado a si mesmo, ou ao ego. Uma das metáforas para se referir ao ego é um casulo. Ficamos dentro de nosso casulo porque temos medo, o medo de nossos sentimentos e das reações que a vida vai provocar. Tememos o que pode nos acontecer. Mas se essa estratégia de esquivar-se funcionasse, Buda não teria precisado ensinar nada, porque nossas tentativas de fugir da dor, as quais todos os seres humanos instintivamente recorrem, teriam resultado em segurança, felicidade e conforto, e não existiriam problemas. Porém, como Buda observou, a autoabsorção, essa tentativa de encontrar zonas de segurança, gera um terrível sofrimento. Ela nos debilita, o mundo torna-se mais aterrador, e nossos pensamentos e emoções passam a ser cada vez mais ameaçadores.

Existem muitas abordagens para discutir o ego, mas, na essência, é o que mencionamos. É a experiência de nunca estar presente. Existe uma tendência arraigada, quase uma compulsão, para desviar a atenção, mesmo quando não estamos conscientemente nos sentindo desconfortáveis. Todas as pessoas sentem-se um pouco ansiosas. Há um pano de fundo de nervosismo, tédio e inquietude. Como relatei, durante o período do meu retiro, quando não havia quase distrações, mesmo assim vivenciei esse profundo desconforto. Segundo a explicação budista, sentimos essa sensação desagradável, porque estamos sempre tentando ter uma estrutura firme e quase nunca conseguimos.

Achamos que encarar nossos demônios trará à lembrança algum acontecimento traumático ou a descoberta de que não temos nenhum valor. Mas, ao contrário, é justamente enfrentando essa sensação desconfortável e inquietante de não ter um lugar para fugir que descobriremos — imagine o quê? — que sobrevivemos e não iremos desmoronar, sentimos um profundo alívio e uma sensação de liberdade.

Do livro O Salto de Pema Chödrön

Desenvolvendo uma atitude de abertura – O ego e o self

Ignorância e apego ao ego

“Os nossos problemas fundamentais são a ignorância e o apego ao ego. Agarramo-nos à nossa identidade, enquanto uma personalidade, memórias, opiniões, julgamentos, esperanças, medos, conversa fiada —tudo gira à volta deste eu, eu, eu, eu. E acreditamos que esse eu é realmente uma entidade sólida e imutável que nos separa de todas as outras entidades lá fora. Isto cria a ideia de um eu permanente e imutável no centro do nosso ser, que temos de satisfazer e proteger. Isto é uma ilusão. “Quem sou eu?”, esta é a questão central do Budismo. Consegue ver? Geralmente o que fazemos é tentar proteger este falso eu, o meu, o mim. Pensamos que o ego é o nosso melhor amigo. Não é. Não se interessa se estamos felizes ou infelizes. Na verdade, o ego fica muito feliz por estar infeliz. E temos de estar conscientes para não usar o caminho espiritual como outro canal para o ego — um maior, melhor, mais espiritual eu. Há práticas que podemos usar contra esta adulação do ego. Na companhia de pessoas muito doentes que estão a sofrer, podemos visualizar-nos a tomar a sua dor e sofrimento, sob a forma de uma luz ou fumo escuros, retirando a doença e carma negativos, e dirigindo-os para a pequena pérola negra do nosso egocentrismo. E começará a desaparecer, porque, realmente, a última coisa que o ego quer, são os problemas dos outros. Se nós próprios sentimos dor e sofrimento, podemos usá-lo. Estamos condicionados a resistir à dor. Pensamos nela como um bloco sólido que temos de empurrar, mas não é. É como uma melodia, e por detrás da cacofonia há um espaço imenso.”  – Jetsunma Tenzin Palmo

Uma visão muito interessante sobre o que é o ego é a de Carl Jung. Não sou nenhum especialista em nada mas gosto mais dela porque me explica melhor essa questão, afinal um ocidental como eu tem certas dificuldades com alguns conceitos e precisa de ajuda.

egoEgo e Self.

As pessoas confundem esses termos importantes, pois são usados como sinônimos.

Joanna de Ângelis em suas orientações relacionadas aos aspectos psicológicos do ser humano é influenciada pelas ideias de Carl Gustav Jung.

Self: O Si mesmo é o centro de toda a personalidade. É dele que emana todo o potencial energético de que a psique dispõe. É o ordenador dos processos psíquicos.

De acordo com Jung “O Si mesmo representa o objetivo do homem inteiro, a saber, a realização de sua totalidade e de sua individualidade”.

O Self verdadeiro vem de dentro para fora e se baseia em escolhas conscientes. Quanto maior o autoconhecimento, mais livre se torna o indivíduo no resgate da sua essência verdadeira.

Ego: O “ego” é o centro da consciência inferior, diferente do Eu, que é centro superior da consciência. É a soma total dos pensamentos, ideias, sentimentos, lembranças e percepções sensoriais. É a concepção que a pessoa faz de si mesma.

Para você ter uma idéia do que é o Ego, pergunte a si mesmo como você é. Todas as respostas que vierem à sua mente (sou trabalhador, emotivo, sou isso ou aquilo) estarão falando do Ego.

No ego estão os mecanismos de defesa, para lidar com as situações da vida, os estresses, as perdas, os problemas, os obstáculos. Esses mecanismos podem ser primitivos ou evoluídos.

O exemplo de um mecanismo de defesa primitivo é a negação. A pessoa nega a realidade, recusa-se a melhorar ou tomar medidas para resolver os problemas.

Outro mecanismo de defesa primitivo é a projeção, a tendência de culpar os outros e o mundo pelos seus próprios problemas.

Toda vez que uma pessoa perde o humor, ela está operando em níveis baixos de defesa do ego. O humor primitivo é o sarcasmo, que significa projetar nos outros o seu mal-estar e ainda fazer graça disso. Está, portanto, fora da rota mais saudável de resolução dos problemas. fonte: http://radioboanova.com.br/artigos/ego-e-self/