Lidando com a raiva, resistência e pessimismo. Eckhart Tolle

Vídeo muito esclarecedor de Eckhart Tolle falando sobre como estar consciente em momentos de raiva e dos pensamentos pessimistas que surgem dessa energia. A resistência natural que temos ao tentar afastar esse tipo de energia desconfortável acaba por fazer com que ela ganhe força, os pensamentos negativos ganham força e uma identificação completa está em curso nesse processo. Ao observar essa energia da raiva no primeiro momento que ela surge nos ajuda a criar um distanciamento e observar o que acontece. Observar quebra um pouco a resistência, aumenta a consciência do que está ocorrendo e evita a identificação com os pensamentos pessimistas.

Os momentos difíceis de nossa vida são nossos maiores professores espirituais tentando nos dar lições cada vez mais complexas para avançarmos.

Muita consciência pra você no dia de hoje.

O que acontece ao sofrimento quando nos tornamos conscientes o bastante para romper a nossa identificação com ele?

A inconsciência cria o sofrimento. A consciência transforma o sofrimento nela mesma. São Paulo expressa esse princípio universal de uma forma linda ao dizer: “Tudo é revelado ao ser exposto à luz e o que for exposto à própria luz se torna luz”. Assim como não se pode lutar contra a escuridão, não se pode lutar contra o sofrimento. Tentar fazer isso poderia gerar um conflito interior e um sofrimento adicional. Observar o sofrimento já é o bastante. Observá-lo implica aceitá-lo como parte do que existe naquele momento.

O sofrimento consiste na energia vital aprisionada que se desprendeu do campo energético total e se fez temporariamente autônoma, através de um processo artificial de identificação com a mente. Ela se volta para dentro de si mesma e se torna algo contrário à vida, como um animal tentando comer o próprio rabo. Por que você acha que a nossa civilização se tornou tão autodestrutiva? Acontece que as forças destrutivas da vida, ainda são energia vital. Mesmo quando começamos a deixar de nos identificar e nos tornamos observadores, o sofrimento ainda continua a agir por um tempo e vai tentar fazer com que voltemos a nos identificar com ele.

Embora não esteja mais recebendo a energia originada da nossa identificação com ele, o sofrimento ainda tem sua força, como uma roda-gigante que continua a girar, mesmo quando deixa de receber o impulso. Nesse estágio, o sofrimento pode até ocasionar dores em diversas partes do corpo, mas elas não vão durar. Esteja presente, fique consciente. Vigie o seu espaço interior. Você vai precisar estar presente e alerta para ser capaz de observar o sofrimento de um modo direto e sentir a energia que emana dele. Agindo assim, o sofrimento não terá força para controlar o seu pensamento. No momento em que o seu pensamento se alinha com o campo energético do sofrimento, você está se identificando com ele e, de novo, alimentando-o com os seus pensamentos.

Raiva é a vibração de energia que predomina no sofrimento

Por exemplo, se a raiva é a vibração de energia que predomina no sofrimento e você alimenta esse sentimento, insistindo em pensar no que alguém fez para prejudicá-lo ou no que você vai fazer em relação a essa pessoa, é porque você já não está mais consciente, e o sofrimento se tornou “você”. Onde existe raiva, existe sempre um sofrimento oculto. Quando você começa a entrar em um padrão mental negativo e a pensar como a sua vida é horrorosa, isso quer dizer que o pensamento se alinhou com o sofrimento e que você passou a estar inconsciente e vulnerável a um ataque do sofrimento. Utilizo a palavra “inconsciência” no presente contexto para significar uma identificação com um padrão mental ou emocional. Isso implica uma ausência completa do observador.

Manter-se em um estado de alerta consciente destrói a ligação entre o sofrimento e o mecanismo do pensamento, e aciona o processo de transformação. E como se o sofrimento se tornasse o combustível para a chamada da consciência, resultando em um brilho de mais intensidade. Esse é o significado esotérico da antiga arte da alquimia: a transformação do metal não-precioso em ouro, do sofrimento em consciência. A separação interior cicatriza, e você se torna inteiro outra vez. Cabe a você, então, não criar um sofrimento adicional.

Resumindo o processo: concentre a atenção no sentimento dentro de você. Reconheça que é o sofrimento. Aceite que ele esteja ali. Não pense a respeito. Não permita que o sentimento se transforme em pensamento. Não julgue nem analise. Não se
identifique com o sentimento. Esteja presente e observe o que está acontecendo dentro de você. Perceba não só o sofrimento emocional, mas também a presença “de alguém que observa”, o observador silencioso. Esse é o poder do Agora, o poder da sua própria presença consciente. Veja, então, o que acontece.

Thich Nhat Hanh fala sobre lidar com emoções

Revista: É muito doloroso ver alguém que amamos enfrentando sérias dificuldades, como doença mental, transtorno do estresse pós-traumático, ou vícios. Às vezes os problemas parecem tão grandes que não nos sentimos capazes de ajudar. Acabamos tendo vontade de nos afastar dessas pessoas e de seus problemas. Outras vezes, tentamos ajudá-las e depois nos sentimos consumidos por suas dificuldades. O que fazer para ajudar em situações difíceis assim sem ficarmos saturados?

Thich Nhat Hanh: SE VOCÊ SE SENTE SOBRECARREGADO, é porque está se esforçando demais. Esse tipo de energia não ajuda o outro e não o ajuda também. Não fique ansioso demais, querendo ajudar imediatamente. Há duas coisas diferentes: ser e fazer. Não pense muito no que fazer – seja primeiro. Seja a paz. Seja a alegria. Seja a felicidade. E, só depois disso, faça a alegria, faça a felicidade – com base no ser. Primeiro, você precisa se concentrar na prática do ser/estar. Estar cheio de vida, estar em paz. Estar atento. Ser generoso. Ser compassivo. Esta é a base da prática. É como se a outra pessoa estivesse sentada ao pé de uma árvore. A árvore não faz nada, mas está cheia de energia, está viva. Se você ficar como essa árvore,  emanando ondas cheias de vida, ajudará a acalmar o sofrimento do outro.

Sua presença deve ser agradável, calma, e você deve estar presente para ajudar essa pessoa. Isso, por si só, já é muito. Quando as crianças gostam de vir e sentar perto de você, não é porque você tem um montão de biscoitos para distribuir, mas porque é gostoso ficar ao seu lado, é revigorante. Portanto, sente-se perto de alguém que está sofrendo e faça o melhor para ser você mesmo – agradável, atento, cheio de vida.

Revista: Se eu estiver sentindo uma emoção muito difícil – como raiva ou tristeza profunda – e tentar me concentrar em minha respiração, não estaria evitando minhas emoções?

Thich Nhat Hanh: As pessoas tendem a se perder em fortes emoções e ficam sobrecarregadas. Esta não é a forma de lidar com as emoções, pois quando isso acontece você se torna vítima da emoção. Para não se tornar vítima, respire, mantenha a calma e terá o insight de que uma emoção é apenas uma emoção, nada mais do que isso. Este insight é muito importante, pois a partir dele você não sentirá mais medo. Estará calmo, sem tentar fugir, e poderá lidar melhor com a emoção. Sua respiração é você, e você precisa formar uma aliança com sua respiração para ser mais você, para ser mais forte. Isso lhe permitirá lidar melhor com sua emoção. Não tente se esquecer de suas emoções: em vez disso, tente ser mais você mesmo, tornando-se suficientemente sólido para lidar com elas.

Trecho de entrevista com Thich Nhat Hanh:

(Entrevista exclusiva feita por Andrea Miller para Revista Shambhala Sun – janeiro de 2012)

(Tradução: Denise Kato)

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Filtro de negatividades

O trabalho básico da atenção plena (mindfulness) é colocar um filtro na sua mente. Você observa seus pensamentos e quando nota que está pensando coisas ruins sobre si mesmo, ou sobre os outros, você somente diz “julgando” e os pensamentos vão embora. Se você fica frustrado com você mesmo e se pega se julgando muito, então você diz “julgando” e esses pensamentos vão embora.

Observar individualmente cada pensamento é um bom filtro. Observar seus humores é um nível diferente de filtragem. Se você percebe que está com um péssimo humor sabe que é preciso estar mais alerta para observar esses pensamentos negativos. Você pode observar se os pensamentos estão causando esse estado de espírito ou se seu humor está causando os pensamentos. Quando notar que está de mau humor e perceber os pensamentos negativos somente diga “julgando” que o pensamento irá embora. Talvez o mau humor irá junto.

Traduzido de Zen Mister Peter Taylor – autorizado pelo autor http://zenmister.tumblr.com/post/69556152118/negativity-filter

Texto complementar para entender a técnica de rotular o sentimento ou pensamento:

Dizer internamente “pensando” constitui um ponto muito interessante da meditação. Nesse momento, podemos treinar conscientemente a suavidade e o desenvolvimento de uma atitude de julgamento. A palavra sânscrita para bondade amorosa é maitri, também traduzida como amizade incondicional. Portanto, sempre que dizemos a nós mesmos “pensando”, estamos cultivando essa amizade incondicional por tudo que surge na mente. Esse método simples e direto de despertar é extremamente precioso, já que esse tipo de compaixão incondicional não é fácil de alcançar.

Às vezes, sentimos culpa. Às vezes, somos arrogantes. Em outras, nossos pensamentos e lembranças os aterrorizam e nos tornam muito infelizes. Os pensamentos cruzam nossa mente o tempo todo e, quando sentamos, estamos dando a todos eles muito espaço para que surjam. Como nuvens em um céu amplo ou ondas em um vasto mar, estamos dando a todos os nossos pensamentos espaço para que apareçam. Quando um deles atrai nossa atenção e nos arrebata, quer seja agradável ou desagradável, devemos rotulá-lo “pensando”, com toda a abertura e bondade que pudermos reunir, e deixar que ele se dissolva no amplo céu. Não há problema se as nuvens e ondas imediatamente retornam. Simplesmente reconhecemos sua existência mais uma vez, com amizade incondicional, rotulamos “pensando” e deixamos que elas se dissolvam continuamente.

Às vezes, as pessoas usam a meditação para tentar evitar mais sentimentos ou pensamentos perturbadores. Tentamos usar o rótulo como uma forma de afastar o que nos incomoda e, quando nos conectamos com algo prazeroso ou inspirador, podemos achar que finalmente conseguimos e tentamos ficar nesse ponto onde há paz, harmonia e onde não temos nada a temer.

Portanto, desde o início, é bom lembrar sempre que meditar relaciona-se com abrir e relaxar, surja o que surgir, sem selecionar ou escolher. Definitivamente, não significa reprimir nada e também não tem a finalidade de estimular o apego. Allen Ginsberg usa a expressão “mente surpresa”. Você senta e — opa! — surge uma surpresa bem desagradável. Tudo bem. Quem seja assim. Não devemos rejeitar esse aspecto, mas compassivamente reconhece-lo como “pensando” e deixar que ele vá. Então — opa! — aparece uma surpresa muito agradável. Tudo bem. Que seja assim. Mais uma vez, não devemos nos apegar a esse aspecto, mas compassivamente reconhece-lo como “pensando” e deixar que ele vá. Percebemos que essas surpresas não têm fim. Milarepa, yogi tibetano do século XII, cantava maravilhosamente suas canções sobre a forma correta de meditar. Uma delas dizia que há mais projeções na mente que partículas de poeira em um raio de sol e que nem mesmo centenas de lanças podem pôr fim a isso. Portanto, como meditadores, também podem parar de lutar contra nossos pensamentos e perceber que honestidade e senso de humor são muito inspiradores e úteis contra ou a favor de algo.

De qualquer forma, o objetivo não é tentar livrar-se dos pensamentos, mas ver sua verdadeira natureza. Ficaremos dando voltas inúteis com nossos pensamentos se acreditarmos em sua solidez. Na verdade, eles são como imagens de sonho. São como uma ilusão — não são tão sólidos assim. Como dizemos, são apenas pensamentos. (Pema Chödrön em Quando Tudo se Desfaz)

EMOÇÃO: A REAÇÃO DO CORPO À MENTE

A mente, no sentido em que utilizo a palavra, não é apenas pensamento. Inclui as emoções, bem como todos os padrões reativos inconscientes mentais e emocionais. A emoção surge no lugar em que a mente e o corpo se encontram. É a reação do corpo à mente ou, poder-se-ia dizer, um reflexo da mente no corpo.

Quanto mais o leitor se identificar com o seu pensamento, com aquilo de que gosta e de que não gosta, com juízos e interpretações, o que é o mesmo que dizer que quanto menos presente estiver como observador consciente, mais forte será a carga de energia emocional, esteja você a par disso ou não. Se não conseguir sentir as suas emoções, se estiver afastado delas, acabará por experienciá-las a um nível puramente físico, como um problema ou sintoma físico.

SE TEM DIFICULDADE EM SENTIR AS SUAS EMOÇÕES, comece por concentrar a atenção no campo energético interior do seu corpo. Sinta-o a partir de dentro. Este posicionamento também vai pôr o leitor em contacto com as suas emoções. Se quer, de facto, conhecer a sua mente, o corpo dar -lhe-á sempre um reflexo exato, por isso observe a emoção, ou antes sinta-a no seu corpo. Se existir um conflito aparente entre a emoção e o pensamento será a mentira e a emoção a verdade. Não a derradeira verdade sobre quem o leitor é, mas a verdade relativa do seu estado de espírito na altura.

O leitor pode também não ser capaz de levar a sua mente inconsciente à consciência, enquanto pensa mento, mas ela estará sempre refletida no corpo enquanto emoção e o leitor pode tornar-se consciente deste facto.

Observar uma emoção desta forma é praticamente o mesmo que ouvir ou observar um pensamento, o que descrevi anteriormente. A única diferença é que enquanto o pensamento está na cabeça da pessoa, a emoção tem um componente físico forte e, assim, é sentida fundamentalmente pelo corpo. Depois, pode permitir-se que a emoção esteja presente sem que seja controlado por ela.

O leitor deixa de ser a emoção e passa a ser o observador, a presença observadora. Se praticar este procedimento, tudo o que é inconsciente dentro de si será trazido para a luz do consciente.

TORNE O FACTO DE PERGUNTAR A SI MESMO «O QUE É QUE SE PASSA DENTRO DE MIM NESTE MOMENTO?» UM HÁBITO. A pergunta vai levá-lo na direção certa. No entanto, não analise, limite-se a observar. Concentre a atenção no interior. Sinta a energia da emoção.
Se não estiver presente nenhuma emoção, conduza a sua atenção até um ponto mais profundo do campo energético interior do seu corpo. É essa a entrada do Ser.

Eckhart Tolle em Praticando o Poder do Agora

Você não é suas emoções – Na tela da consciência – Annamalai Swami

Quando você sabe que tudo que está acontecendo só está surgindo na tela da sua consciência, e que você mesmo é essa tela na qual tudo surge, nada pode te tocar, te prejudicar ou causar medo. Annamalai Swami

nuvens

 

“Você é o céu. Todo o resto – é apenas o clima.” – Pema Chödrön

Controlando emoções

Para controlar suas emoções desista da ideia de controle. Emoções são parte de seu ser. Elas ocorrem o tempo todo. Se você conseguisse controlar suas emoções, conseguiria fazer elas pararem. Você conseguiria escolher quais emoções ter e quando. Se esse fosse o caso, você sempre escolheria estar feliz e não teria problemas. Se você quiser escolher ser feliz precisa saber lidar com as emoções não escolhidas como tristeza, medo ou ansiedade. Vale a pena tentar ter controle sobre essas emoções, porque quando elas estão fora de controle elas conspiram para arruinar a sua vida.

Controlar emoções é difícil porque não é fácil dizer o que é uma emoção e o que está tentando controlar isso. Quando você sente o medo, ele toma conta de você. O que deveria estar controlando o medo é consumido por ele. Você simplesmente não pode fazer ele parar porque está tomado pelo medo. Você é o medo. Quando você perceber que é o medo, então você não terá mais medo. Você é algo separado, está seguro, e tem algum controle sobre isso.

Ao prestar bastante atenção aos seus altos e baixos emocionais, poderá ver o “jogo” das emoções. A emoção é separada de você e é separada do pensamento, ou da história que justifica ela. Se você está triste porque seu peixe de estimação morreu, pode sentir tristeza. A tristeza é algo diferente de você e é diferente do fato do peixe ter morrido. Eventualmente você estará feliz e seu peixe ainda estará morto. Isso é somente uma história ligada a essa tristeza. Sua tristeza esteve lá antes com outras histórias e vai retornar com novas histórias.

Quando você presta atenção as suas emoções, ego, pensamentos, histórias, você chega o mais perto possível de controlar suas emoções. Embora não consiga escolher o que sentir nem quando, você conseguirá colocar cada emoção dentro de um contexto, sabendo que você é capaz de sobreviver a todos tipos de emoções que existem. Quando aprender a prestar atenção e encontrar algum conforto mesmo com emoções difíceis, as emoções mais prazerosas de alegria irão florescer com maior liberdade e força, como se você mesmo estivesse escolhido.

Por Peter Taylor (tradução livre com autorização) ****From  Zen Mister Series book, Hear Now.