Você respeita demais a sua mente – Mooji

Um vídeo para ver todos os dias 😉

“Não há nada que você precisa fazer para ser o que é, mas tem algo que você precisa reconhecer para deixar de ser o que você não é.

A Pura Consciência não tem forma, mas a mente está sempre em busca de uma forma.

Permita mover-se aquilo que se move – você é a testemunha do movimento.

Você não pode ser um objeto (tal como um pensamento ou qualquer fenômeno), porque nenhum objeto tem consciência de si mesmo.

Todo problema é que você respeita demais a sua mente. Mas você NÃO É a mente; você é a testemunha da mente. E nada testemunha você. A mente é um bom servo mas um terrível mestre.”

 

3 minutos para repousar a mente

Assim, vamos tentar um breve exercício para repousar a mente. Não se trata de um exercício de meditação. Na verdade, é um exercício de “não-meditação” — uma prática budista muito antiga que, como meu pai explicou, retira a pressão de achar que você precisa atingir uma meta ou vivenciar algum tipo de estado especial. Na não-meditação, só observamos o que quer que aconteça, sem interferir. Nós somos meramente observadores interessados em um tipo de experiência introspectiva, sem nenhuma expectativa sobre o resultado dessa experiência.

É claro que, quando aprendi isso, ainda era uma criança bastante orientada para metas. Eu queria que algo maravilhoso acontecesse a cada vez que me sentasse para meditar. Então, levei algum tempo para conseguir só repousar, só observar e não me importar com os resultados.

Primeiro, mantenha-se em uma posição com sua coluna ereta e seu corpo, relaxado. Uma vez que seu corpo esteja posicionado confortavelmente, permita que sua mente repouse por cerca de três minutos. Limite-se a deixar sua mente livre, como se tivesse acabado de concluir uma longa e árdua tarefa. Não importa o que acontecer, não importa que pensamentos ou emoções surgirem, não importa se você sentir algum desconforto físico, não importa se você estiver consciente dos sons e cheiros a seu redor ou se sua mente estiver totalmente vazia, não se preocupe. O que quer que aconteça — ou não aconteça — é parte da experiência de permitir que sua mente repouse.

Agora, apenas repouse na consciência do que quer que esteja passando pela sua mente…

Apenas repouse…

Apenas repouse…

Depois de três minutos, pergunte a si mesmo: “Como foi essa experiência; “Não a julgue; não tente explicá-la. Pense no que aconteceu e em como você se sentiu. Você pode ter provado um breve momento de paz ou abertura. Isso é bom. Ou pode ter se conscientizado de um milhão de diferentes pensamentos, sentimentos e sensações. Isso também é bom. Por quê? Porque, de qualquer forma, se você obteve pelo menos uma reduzida consciência do que estava pensando ou sentindo, teve um vislumbre direto de sua própria mente simplesmente realizando suas funções naturais.

Então, permita-me revelar um grande segredo. Qualquer coisa que você vivenciar enquanto meramente repousa sua atenção no que quer que seja passando por sua mente em qualquer momento, isso é meditação. O simples repouso dessa forma é a experiência da mente natural.

A única diferença entre a meditação e o processo comum e cotidiano de pensamentos, sentimentos e sensações é a aplicação da consciência pura e simples que ocorre quando você permite à mente ser como ela é — sem correr atrás de pensamentos ou distrair-se por sentimentos ou sensações.

Eu levei muito tempo para reconhecer como a meditação na verdade é fácil, principalmente porque ela parecia muito comum, tão próxima de meus hábitos cotidianos de percepção que eu raramente parava para reconhecer isso. Como muitas pessoas que conheci em minhas viagens como professor, eu achava que a mente natural precisava ser alguma outra coisa, algo diferente ou melhor que aquilo que eu já estava vivenciando. Como a maioria das pessoas, eu colocava julgamentos demais em minha experiência. Eu acreditava que os pensamentos de raiva, ansiedade, medo e assim por diante que iam e vinham ao longo do dia eram ruins ou contraprodutivos — ou pelo menos inconsistentes com a paz natural! Os ensinamentos do Buda — e a lição inerente nesse exercício de não-meditação — são que, se nos permitirmos relaxar e dar um passo mental para trás, podemos começar a reconhecer que todos esses diferentes pensamentos estão indo e vindo no contexto de uma mente ilimitada, que, como o espaço, permanece fundamentalmente imperturbada por qualquer coisa que possa ocorrer a ela.

Com efeito, vivenciar a paz natural é mais fácil do que beber água. Para beber, você precisa de certo esforço. Você precisa pegar um copo, levá-lo aos lábios, entornar o copo para a água escorrer em sua boca, engolir a água e colocar o copo na mesa. Esse esforço não é necessário para vivenciar a paz natural. Tudo o que você precisa fazer é repousar a mente em seu estado natural. Não é necessário nenhum foco especial, nenhum esforço especial. E, se por algum motivo não conseguir repousar sua mente, observe quaisquer pensamentos, sentimentos ou sensações que surgem, mantêm-se por alguns segundos e desaparecem e reconhecer: “Ah, então é isso o que está acontecendo em minha mente neste exato momento.”

Não importa onde você estiver, o que você estiver fazendo, é essencial reconhecer sua experiência como algo comum, a expressão natural de sua verdadeira mente. Se você não tentar interromper o que está ocorrendo em sua mente, mas limitar-se a observar sua atividade, mais cedo ou mais tarde começará a ter uma enorme sensação de relaxamento, um amplo senso de abertura em sua mente — que é, na verdade, sua mente natural, o pano de fundo naturalmente imperturbável sobre o qual vários pensamentos vêm e vão. Ao mesmo tempo, você estará despertando novos caminhos neuronais que, à medida que se fortalecem e se conectam mais profundamente, aumentam a capacidade de tolerar o efeito dominó de pensamentos que passam por sua mente em qualquer momento específico. Quaisquer pensamentos perturbadores que surgirem atuarão como catalisadores que estimularão sua consciência da paz natural que o cerca e que permeia esses pensamentos, como o espaço cerca e permeia cada partícula do mundo fenomênico.

Mas agora é hora de abandonar a introdução geral à mente e começar a examinar suas características em mais detalhes. Você pode se perguntar por que é necessário saber qualquer coisa a mais sobre a mente natural. O conhecimento geral não é suficiente? Não podemos passar para a prática agora? Pense da seguinte forma: se você estiver dirigindo no escuro, não se sentiria melhor se tivesse um mapa da região, em vez de apenas uma idéia aproximada de para onde você está indo? Sem um mapa e sem nenhuma placa para orientá-lo, você pode se
perder. Você pode entrar em ruas erradas e percorrer vias secundárias, tornando a viagem mais longa e mais complicada do que o necessário. Você pode acabar andando em círculos. E, sem dúvida, pode até acabar onde não queria ir — mas a jornada seria muito mais fácil se você soubesse para onde estava indo. Então, pense nos próximos dois capítulos como um mapa, um conjunto de orientações e placas que podem ajudá-lo a chegar mais rapidamente onde você queria ir.

livro A Alegria de Viver Mingyur Rinpoche Do livro Alegria de Viver de Mingyur Rinpoche

Oito coisas fazem uma pessoa ficar fraca – Dzongsar Khyentse Rinpoche

Um trecho de um post que fala sobre as 8 armadilhas da mente, ou as 8 preocupações mundanas do Budismo

Vamos falar sobre estes ganhos mundanos — pessoalmente, tenho muito deste problema. Atisha Dipankara, um dos maiores eruditos budistas da Índia, tinha um modo maravilhoso de colocar isto. Ele disse: “Oito coisas fazem uma pessoa ficar fraca”. Ele estava se referindo aos oito dharmas mundanos, ou oito armadilhas nas quais caímos:

Querer ganhar;
Não querer perder;

Querer ser reconhecido;
Não querer ser ignorado.

Querer ser elogiado;
Não querer ser criticado;

Querer prazer;
Não querer dor;

Estes são muito importantes. Devemos memorizá-los, de modo que de tempos em tempos podemos verificar se estamos caindo em uma destas armadilhas, ou até mesmo em todas elas. Eu faço isso. Isso é o núcleo básico da minha prática, verificar se estou caindo em qualquer uma destas armadilhas. São fáceis de lembrar: elogio e crítica; ganho e perda; prazer e dor; reconhecimento e ser ignorado.

Leia o texto completo em Budismo Petrópolis

Esse é um dos ensinamentos mais úteis e poderosos existentes. Colocar em prática é essencial.