Porque o sofrimento… Paul Brunton

Calmamente reconheça que o sofrimento tem sua parte na tarefa de manifestar o plano divino, que as pessoas têm lições a aprender por meio dele que de outra forma não aprenderiam, e que esse sofrimento deveria, em tais casos, ser recebido com compreensão em vez de sentimentalismo neurótico.

Encare o fato de que muitas pessoas não aprenderão por meio da razão, intuição ou ensinamento e que ninguém pode libertá-las de seus sofrimentos a não ser elas mesmas. Qualquer outro tipo de libertação é falso. Muitos podem conseguir isso hoje e ver a mesma condição retornar amanhã.

Em certas situações que exigem decisões firmes, você não deveria, por exemplo, demonstrar injustificável fraqueza acreditando estar sendo tolerante, nem submeter-se ao egoísmo anti-social supondo estar sendo amoroso, nem abandonar suas maiores responsabilidades sob pretexto de manter uma paz falsa e superficial com a ignorância que o cerca, nem passivamente aceitar um erro flagrante com a justificativa de que a vontade de Deus deve sempre ser aceita.

Paul Brunton
Meditações Para Pessoas Em Crise

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Por que nos apegamos ao nosso sofrimento? Thich Nhat Hanh responde

P: Por que nos apegamos ao nosso sofrimento?

TNH: Muitos de nós não são capazes de liberar o passado, de liberar o sofrimento do passado. Queremos nos agarrar ao nosso próprio sofrimento. Mas o Buda disse muito claramente, não se apegue ao passado, o passado já se foi. Não espere o futuro, o futuro ainda não está presente. Os sábios estabelecem-se no momento presente e praticam viver profundamente no momento presente. Essa é a nossa prática. Ao viver profundamente no momento presente, podemos compreender o passado melhor e podemos nos preparar para um futuro melhor.

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Não consigo entender como alguém pode se entregar ao sofrimento

P: Não consigo entender como alguém pode se entregar ao sofrimento. Como você já mencionou, o sofrimento é a não-entrega. Como poderia me entregar à não-entrega?

R: Esqueça a entrega por um instante. Quando a sua dor é profunda, tudo o que se disser a respeito de entrega vai, provavelmente, lhe parecer superficial e sem sentido.

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O sofrimento não quer que nós o observemos diretamente

A arte de observar o sofrimento

O sofrimento, a sombra escura projetada pelo ego, tem medo da luz da nossa consciência. Teme ser descoberto. Sobrevive graças à nossa identificação inconsciente com ele, assim como ao medo inconsciente de enfrentarmos o sofrimento que vive dentro de nós. Mas se não o enfrentarmos, se não direcionarmos a luz da nossa consciência para o sofrimento, seremos forçados a revivê-lo. O sofrimento pode nos parecer um monstro perigoso, mas eu lhe garanto que se trata de um fantasma frágil. Ele não pode prevalecer sobre o poder da nossa presença.

Alguns ensinamentos espirituais dizem que todo sofrimento é, em última análise, uma ilusão, e isso é verdade. A questão é se isso é uma verdade para você. Acreditar simplesmente não transforma nada em verdade. Você quer sofrer para o resto da vida e permanecer dizendo que é uma ilusão? Será que essa atitude livra você do sofrimento? O que nos interessa aqui é o que podemos fazer para vivenciar essa verdade, ou seja, torná-la real em nossas vidas.

Portanto, o sofrimento não quer que nós o observemos diretamente e vejamos o que ele realmente é. No momento em que o observamos, sentimos seu campo energético dentro de nós e desfazemos nossa identificação com ele, surge uma nova dimensão da consciência. Chamo a isso presença. Passamos a ser testemunhas ou observadores do sofrimento. Isso significa que ele não pode mais nos usar, fingindo ser nosso eu interior. Então, não temos mais como realimentá-lo. Aqui está nossa mais profunda força interior. Acabamos de acessar o Poder do Agora.

Eckhart Tolle no livro O Poder do Agora

Resistir é inútil

Se você simplesmente aceita tudo como é, você não terá problema algum. Sem problemas você fará o que precisa ser feito. Quando precisa levantar da cama pela manhã, você só levanta da cama. Você pode acordar e sentir-se muito bem, sonolento e aquecido sob as cobertas. Isso é maravilhoso. Você se sente tão bem. Saber que é preciso levantar da cama não deveria arruinar essa sensação tão maravilhosa. Resistir pode arruinar essa sensação maravilhosa. Quando você pensa que não quer sair da cama ao invés de ficar deitado, na realidade você não está levantando da cama. Se você precisa mesmo sair da cama não ficará feliz até que saia.

Resistência é o que deixa uma tarefa ser odiada. Se você não gosta de limpar o banheiro, mas fica enojado com um banheiro sujo, você pode resistir a limpar o banheiro até que seu nojo esteja tão elevado que vence sua resistência. Então, após sofrer pelo nojo, você pode sofrer no processo de limpeza do banheiro, odiando cada minuto disso. Você conduziu a situação para acumular sofrimento sobre sofrimento. Sem resistência você notaria que o banheiro está sujo e limparia o banheiro. Aceitar tudo como é não significa que você vai viver com um banheiro sujo. Você ainda vai limpar o banheiro, mas você vai aceitar que vai passar os próximos 20 minutos da sua vida limpando um banheiro. Você também aceita que odeia fazer essa tarefa, então não precisa ficar pensando sobre o quanto odeia isso. Você só faz o que precisa ser feito.

Resistir é ficar desejando coisas diferentes de como elas são. Isso causa dor. Se algo parece desagradável, aceite isso e reconheça que sua atual experiência é desagradável. Essa é a experiência que está passando nesse momento. Quando você percebe que resistir é inútil, você pode aceitar a circunstância. Quando você pode aceitar qualquer estado de espírito que surge em você, acaba se aceitando e pode apreciar o momento presente, do jeito que ele é.

(traduzido de Zen Mister com autorização: http://zenmister.tumblr.com/post/152854307106/resistance-is-futile)

Isso é somente sofrimento

É completamente natural sofrer. Todos sofrem. Todos sofrem várias vezes no dia. Do instante em que você sente que não deveria estar levantando da cama pela manhã, através dos solavancos e contusões do dia, até o momento que vai para a cama e tenta dormir, existe um milhão de oportunidades de sofrer. Pode estar muito calor, muito frio, muito cansado, com muita fome, com muito, com pouco, muito ruim. Existem injustiças, pouco reconhecimento, grosseria, estupidez, crueldade, todas essas coisas que você encontra em todos os dia da vida que causam sofrimento. Superar o sofrimento não é sobre encontrar maneiras de viver ás voltas com o sofrimento, e sim encontrar alegria de viver apesar do sofrimento.

Se por um momento você pensa que pode existir um meio de evitar o sofrimento, você é pego no sofrimento. O método mais eficiente para evitar o sofrimento é estar em paz com o sofrimento. Você não precisa aceitar as circunstâncias que estão causando seu atual sofrimento. Você sempre pode agir para mudar as circunstâncias. Ao praticar notar seu sofrimento e mudar as circunstâncias, você vai mudando seu relacionamento com seu sofrimento. Quando notar que está sofrendo, e você vai notar, vai lembrar que a vida ainda é algo incrível, mesmo com todo esse sofrimento.

Para conviver com seu sofrimento, você pode trabalhar com sua mente, seu corpo e as circunstâncias. Atualmente você tem as circunstâncias perfeitas para aprender a transformar o sofrimento. Mesmo que as circunstâncias já foram mais perfeitas, mesmo assim ainda haveria sofrimento. Com sua mente e seu corpo você poderia ter transformado isso também. É só sofrimento. Você já sabe como lidar com isso.

Peter Taylor em Zen Mister – traduzido com autorização do autor

 

Lidando com a raiva, resistência e pessimismo. Eckhart Tolle

Vídeo muito esclarecedor de Eckhart Tolle falando sobre como estar consciente em momentos de raiva e dos pensamentos pessimistas que surgem dessa energia. A resistência natural que temos ao tentar afastar esse tipo de energia desconfortável acaba por fazer com que ela ganhe força, os pensamentos negativos ganham força e uma identificação completa está em curso nesse processo. Ao observar essa energia da raiva no primeiro momento que ela surge nos ajuda a criar um distanciamento e observar o que acontece. Observar quebra um pouco a resistência, aumenta a consciência do que está ocorrendo e evita a identificação com os pensamentos pessimistas.

Os momentos difíceis de nossa vida são nossos maiores professores espirituais tentando nos dar lições cada vez mais complexas para avançarmos.

Muita consciência pra você no dia de hoje.

O que acontece ao sofrimento quando nos tornamos conscientes o bastante para romper a nossa identificação com ele?

A inconsciência cria o sofrimento. A consciência transforma o sofrimento nela mesma. São Paulo expressa esse princípio universal de uma forma linda ao dizer: “Tudo é revelado ao ser exposto à luz e o que for exposto à própria luz se torna luz”. Assim como não se pode lutar contra a escuridão, não se pode lutar contra o sofrimento. Tentar fazer isso poderia gerar um conflito interior e um sofrimento adicional. Observar o sofrimento já é o bastante. Observá-lo implica aceitá-lo como parte do que existe naquele momento.

O sofrimento consiste na energia vital aprisionada que se desprendeu do campo energético total e se fez temporariamente autônoma, através de um processo artificial de identificação com a mente. Ela se volta para dentro de si mesma e se torna algo contrário à vida, como um animal tentando comer o próprio rabo. Por que você acha que a nossa civilização se tornou tão autodestrutiva? Acontece que as forças destrutivas da vida, ainda são energia vital. Mesmo quando começamos a deixar de nos identificar e nos tornamos observadores, o sofrimento ainda continua a agir por um tempo e vai tentar fazer com que voltemos a nos identificar com ele.

Embora não esteja mais recebendo a energia originada da nossa identificação com ele, o sofrimento ainda tem sua força, como uma roda-gigante que continua a girar, mesmo quando deixa de receber o impulso. Nesse estágio, o sofrimento pode até ocasionar dores em diversas partes do corpo, mas elas não vão durar. Esteja presente, fique consciente. Vigie o seu espaço interior. Você vai precisar estar presente e alerta para ser capaz de observar o sofrimento de um modo direto e sentir a energia que emana dele. Agindo assim, o sofrimento não terá força para controlar o seu pensamento. No momento em que o seu pensamento se alinha com o campo energético do sofrimento, você está se identificando com ele e, de novo, alimentando-o com os seus pensamentos.

Raiva é a vibração de energia que predomina no sofrimento

Por exemplo, se a raiva é a vibração de energia que predomina no sofrimento e você alimenta esse sentimento, insistindo em pensar no que alguém fez para prejudicá-lo ou no que você vai fazer em relação a essa pessoa, é porque você já não está mais consciente, e o sofrimento se tornou “você”. Onde existe raiva, existe sempre um sofrimento oculto. Quando você começa a entrar em um padrão mental negativo e a pensar como a sua vida é horrorosa, isso quer dizer que o pensamento se alinhou com o sofrimento e que você passou a estar inconsciente e vulnerável a um ataque do sofrimento. Utilizo a palavra “inconsciência” no presente contexto para significar uma identificação com um padrão mental ou emocional. Isso implica uma ausência completa do observador.

Manter-se em um estado de alerta consciente destrói a ligação entre o sofrimento e o mecanismo do pensamento, e aciona o processo de transformação. E como se o sofrimento se tornasse o combustível para a chamada da consciência, resultando em um brilho de mais intensidade. Esse é o significado esotérico da antiga arte da alquimia: a transformação do metal não-precioso em ouro, do sofrimento em consciência. A separação interior cicatriza, e você se torna inteiro outra vez. Cabe a você, então, não criar um sofrimento adicional.

Resumindo o processo: concentre a atenção no sentimento dentro de você. Reconheça que é o sofrimento. Aceite que ele esteja ali. Não pense a respeito. Não permita que o sentimento se transforme em pensamento. Não julgue nem analise. Não se
identifique com o sentimento. Esteja presente e observe o que está acontecendo dentro de você. Perceba não só o sofrimento emocional, mas também a presença “de alguém que observa”, o observador silencioso. Esse é o poder do Agora, o poder da sua própria presença consciente. Veja, então, o que acontece.